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Governo reage após EUA revogar vistos de nomes do Mais Médicos

A decisão do governo norte-americano de revogar vistos americanos de integrantes do governo ligados ao programa Mais Médicos gerou repercussão nesta quinta-feira (14). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se manifestou, afirmando que o Mais Médico sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja.

De acordo com a Agência Brasil, Padilha garantiu que “não se curvará a quem persegue vacinas, pesquisadores, ciência e, agora, duas pessoas fundamentais para o Mais Médicos na primeira gestão dele como Ministro da Saúde”. E a reação foi provocada pelo cancelamento da autorização de Mozart Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde; e de Alberto Kleiman, coordenador-geral para COP 30.

A decisão de revogação dos documentos oficiais para entrada dos estrangeiros no país, segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria sido justificada por suposto “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”. Através das redes sociais, o secretário Mozart Sales se posicionou, destacando que o “Programa Mais Médicos pelo Brasil é uma iniciativa primordial do Governo Federal para garantir o necessário atendimento de saúde a milhões de brasileiras e brasileiros em todas as regiões do país”.

Ele ainda destacou que na época da criação do programa, o governo recorreu à possibilidade da cooperação internacional com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). “Médicos cubanos já prestavam esse atendimento em outros 58 países de diferentes orientações político-ideológicas, por meio de mecanismos de cooperação internacional. Graças a essa iniciativa, a presença de profissionais brasileiros, cubanos e de outras nacionalidades ofereceu atenção básica de saúde e mãos fraternas a quem mais precisava. Diminuiu incontáveis dores, sofrimentos e mortes”, explicou Sales.

Destacando a aprovação por parte da população brasileira, em pesquisas, e publicações científicas que comprovam o impacto positivo do programa, o secretário ainda disse considerar essa sanção injusta. Durante evento realizado ontem, em Pernambuco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o Mais Médicos.

“O fato deles caçarem o Mozart foi por causa de Cuba. Então, é importante eles saberem que a nossa relação com Cuba é uma relação de respeito a um povo que está sendo vítima de um bloqueio há 70 anos. Hoje, estão passando necessidade, em um bloqueio que não há nenhuma razão. Os Estados Unidos fez uma guerra, perdeu. Aceite que perdeu e deixa os cubanos viverem em paz, deixa os cubanos viverem a sua vida. Não fiquem querendo mandar no mundo”, afirmou o presidente, conforme reportado pela Agência Brasil.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que o Programa Mais Médicos garante assistência médica na atenção primária à saúde, porta de entrada SUS, para mais de 67 milhões de brasileiros. São 26,4 mil profissionais atuando em 4,5 mil municípios – o número de médicos em atividade representa o dobro em relação a 2022.

“A iniciativa do Ministério da Saúde tem sido fundamental para levar atendimento às regiões de maior vulnerabilidade e com dificuldade histórica de fixação de médicos, como os Distritos Sanitários Indígenas (DSEI), que atualmente contam com mais de 650 profissionais do programa. Mais de 75% dos municípios com menos de 52 mil habitantes são atendidos pelo Mais Médicos”, detalhou a pasta federal.

Ainda como aponta o governo, desde sua criação, em 2013, o Mais Médicos prioriza profissionais brasileiros e, com a expansão da formação, atualmente mais de 86% dos participantes são de nacionalidade brasileira. “O convênio com a Organização Pan-

Americana de Saúde (OPAS) foi encerrado em 2018. Na época de sua celebração, cerca de 60 países, incluindo nações europeias, tinham experiência com missões humanitárias de profissionais cubanos. Os resultados do programa são uma conquista da saúde e da sociedade brasileira ao transformar realidades nas cinco regiões do país”, completou o Ministério da Saúde.

Profissionais brasileiros são maioria na Bahia

Apesar de afirmar não possuir ingerência para tratar do caso de profissionais sancionados pelo governo dos Estados Unidos, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que, atualmente, na Bahia, o Mais Médicos conta com profissionais da Bolívia, Cuba, Equador, Paraguai e Peru. “Entretanto, os brasileiros somam 88% dos profissionais que integram o programa no Estado”, afirma a pasta.

Ainda de acordo com o governo estadual, o programa faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê investimento em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde não existem profissionais. Como explica a Sesab, nele, acontece a convocação de médicos para atuar na atenção básica de periferias de grandes cidades e municípios do interior do país, o que garante um serviço da área para todo o país, levando saúde para a população de todo o Brasil.

“Hoje, a Bahia apresenta 1.473 médicos pelo Mais Médicos, distribuídos em 332 municípios, uma abrangência de 80% do total do Estado. Vale recordar que as vagas são oferecidas prioritariamente a médicos brasileiros, interessados em atuar nas regiões onde faltam profissionais. No caso do não preenchimento de todas as vagas, o Brasil aceitará candidaturas de estrangeiros, com a intenção de resolver esse problema, que é emergencial para o país”, aponta a secretaria. Em todo o país, os cubanos representaram, até 2018, a maior parte dos médicos do programa, conforme dados da Agência Brasil. O portal federal ainda informa que, atualmente, eles são 10% dos mais de 26 mil profissionais que atuam no Mais Médicos.

Fonte: Tribuna da Bahia

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