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Governo pode vetar socorro ao agro por custo de até R$ 140 bilhões

Após o Senado Federal aprovar, na noite de quarta-feira, 10, um projeto de lei que cria uma linha especial de crédito para renegociação de dívidas de produtores rurais, o governo Lula (PT) sinalizou que poderá barrar a proposta caso ela avance no Congresso.

O Ministério da Fazenda avalia tanto a possibilidade de veto presidencial quanto uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que o texto pode gerar um impacto bilionário nas contas públicas.

Como o projeto foi alterado pelos senadores, ele ainda precisa retornar à Câmara dos Deputados para uma nova votação antes de seguir para sanção do presidente Lula.

Por que o governo é contra a proposta?

O projeto prevê condições especiais para renegociar dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos ou por impactos econômicos relacionados a conflitos internacionais.

Apesar de reconhecer a necessidade de apoio aos agricultores em dificuldade, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirma que o texto atual descumpre regras fiscais e pode criar uma despesa elevada para a União.

Segundo ele, a proposta precisa ser modificada para evitar prejuízos às contas públicas.

“Se preciso, vamos questionar eventual ação do Congresso que não cumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal no STF. Nosso objetivo é ajudar os agricultores que realmente precisam e que comprovem perdas, não criar uma linha ampla que atenda também quem não necessita”, afirmou.

Impacto bilionário

Nos bastidores do governo, a proposta é tratada como uma “pauta-bomba” devido ao potencial impacto financeiro.

De acordo com o Ministério da Fazenda, caso todos os produtores aptos utilizem a linha de renegociação, o custo para o Tesouro Nacional poderá chegar a R$ 140 bilhões nos próximos anos, aumentando a dívida pública.

O que prevê o projeto?

A proposta cria uma linha especial de crédito para refinanciamento de dívidas rurais utilizando recursos do Fundo Social, abastecido por receitas da exploração do petróleo do pré-sal.

As taxas de juros previstas variam de acordo com o perfil do produtor:
  • 3,5% ao ano para agricultores do Pronaf e pequenos produtores;
  • 5,5% ao ano para produtores enquadrados no Pronamp e médios produtores;
  • 7,5% ao ano para os demais produtores rurais.
Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com limite de:
  • até R$ 10 milhões por produtor;
  • até R$ 50 milhões para cooperativas e associações.

O prazo para pagamento será de até dez anos, com três anos de carência.

Quais dívidas poderão ser renegociadas?

O texto permite a renegociação de operações de:

  • custeio;
  • investimento;
  • comercialização;
  • industrialização;
  • Cédulas de Produto Rural (CPR);
  • dívidas com cooperativas, cerealistas e fornecedores de insumos.
De onde virão os recursos?

Pela proposta, os recursos poderão ser retirados:

  • das receitas do Fundo Social previstas para 2026 e 2027;
  • do superávit financeiro apurado em 31 de dezembro de 2025 e de 2026.

Fonte: A Tarde

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