O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, fez críticas ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, ao comentar o cenário político nacional e possíveis alianças para as próximas eleições. As declarações foram dadas ontem (17), para a rádio Baiana FM.
Segundo Éden, o ex-prefeito não teria aprendido com o resultado das eleições anteriores e evitaria assumir publicamente suas posições políticas. “Não me parece que ACM Neto tenha aprendido tanto com a eleição passada, porque ele não admite ser aliado e que vai apoiar o filho de Bolsonaro”, afirmou. O dirigente também colocou em dúvida a possibilidade de apoio a Ronaldo Caiado em uma eventual disputa presidencial. “Essa história de que vai votar em Caiado, ninguém acredita”, disse.
Durante a entrevista, o petista relembrou o posicionamento de ACM Neto nas eleições de 2018. De acordo com ele, o ex-prefeito declarou apoio a Geraldo Alckmin, mas teria votado em Jair Bolsonaro. “Ele disse que ia votar em Geraldo Alckmin […] e só veio admitir [o voto em Bolsonaro] no segundo turno”, declarou. Para Éden, a resistência em declarar apoio direto ao ex-presidente estaria relacionada à rejeição do eleitorado baiano. “Ele tem medo de admitir que está apoiando o filho de Bolsonaro […] porque o povo da Bahia rejeita Bolsonaro”, afirmou.
As críticas também se estenderam à atuação de ACM Neto nos últimos anos. O secretário ironizou o período em que o ex-prefeito ficou sem mandato e questionou sua presença no interior do estado. “Os últimos quatro anos ele ficou desocupado. Ele não preside o partido, não é deputado, não é senador, não tem mandato. Ao invés de estudar e conhecer a Bahia, coisa que faz só de quatro em quatro anos, podia ter aproveitado melhor o tempo que ficou desocupado”, disse.
Éden ainda criticou adversários políticos por não reconhecerem avanços obtidos durante os governos petistas na Bahia. Segundo ele, a estratégia de desqualificar totalmente as gestões do partido prejudica o debate eleitoral. “É muita crítica, parece que nada mudou, não reconhecem nenhum dos avanços. É óbvio que a Bahia melhorou nestes 20 anos, senão a gente não teria ganhado cinco vezes. É tratar o povo da Bahia como abestalhado”, afirmou.
O dirigente também rebateu declarações do ex-ministro da Cidadania, João Roma, que apontou suposta disputa interna entre Rui Costa e Jaques Wagner. “Convivo com eles há 24 anos, quase que cotidianamente. Um é o filho mais velho e o outro é o filho mais novo. Quem apostar na briga entre os dois vai perder de novo, vai cair do cavalo”, disse.
Para Éden, divergências internas fazem parte do processo político, mas não representam ruptura. “São estilos diferentes, pensamentos diferentes. Isso é comum no PT e no nosso grupo”, concluiu.
Fonte: Tribuna da Bahia



