O veto ao projeto de lei da dosimetria – que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – deve ser o pivô do primeiro embate entre Congresso e Planalto em 2026. Enquanto o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), diz acreditar que é possível garantir a manutenção do veto total anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Centrão e oposição já iniciaram uma “grande movimentação” para articular sua derrubada.
Ao Estadão/Broadcast, o relator do texto na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), apontou que “já está trabalhando” para derrubar o veto de Lula, “logo na primeira semana” dos trabalhos legislativos. “Começar o ano com a derrubada do veto dele”, indicou.
O parlamentar diz que tem conversado sobre o tema com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e que este, por sua vez, tem dialogado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). “Há uma movimentação grande para vetar. A não ida de Motta e Alcolumbre ao evento nesta quinta já mostra que a situação do governo não vai ser boa lá no Congresso não”, disse.
Enquanto isso, o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), se disse convencido de que a base do governo Lula na Casa “tem todas as condições” de manter o veto. Segundo ele, seria necessário que 34 votos fossem revertidos. “É uma tarefa muito possível”, disse na quarta-feira, 7. “Nós vamos fazer uma campanha na sociedade. Vamos trabalhar com o placar, os nomes dos parlamentares. […] Acho que a proximidade da eleição de 2026 nos ajuda nessa tarefa”, apontou a jornalistas.
O governista ainda avaliou como “previsível” a ausência de Motta e Alcolumbre no evento em memória dos atos golpistas de 8 de janeiro, apontando que ambos “são candidatos à reeleição”.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi na mesma linha: “O ano passado não foi diferente. É uma escolha que tem que ser respeitada, a dos presidentes das Casas. O importante é que a data de hoje tem que ser sempre lembrada, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”, falou.
A votação – e derrubada – de vetos presidenciais foi um dos principais termômetros dos embates entre o Palácio do Planalto e o Congresso em 2025. Alcolumbre assumiu a cadeira de presidente do Senado, em 2025, com 56 vetos pendentes de análise – lista que aumentou ao longo do ano. O número será ainda maior em 2026: o Legislativo entrou em 2026 com 67 vetos, incluindo o da dosimetria.
Fonte: Estadão



