O governador Jerônimo Rodrigues (PT) minimizou os impactos da saída do senador Angelo Coronel da base aliada e afirmou que o movimento não compromete a sustentação política do governo. Ontem (5), em entrevista à rádio Metrópole, o petista disse que a situação será debatida com aliados para alinhar posições e preservar a unidade do grupo.
De acordo com Jerônimo, a discussão tem como objetivo esclarecer os desdobramentos internos no PSD e avaliar os reflexos da saída de Angelo Coronel enquanto integrante da base governista, sem que isso represente, neste momento, uma definição sobre alianças ou composição de chapa. “O grupo não vai se estraçalhar, não vamos permitir isso”, afirmou.
O governador baiano destacou que o cenário atual guarda semelhanças com o processo vivido anteriormente com o PP, quando a legenda deixou a base, mas manteve canais de diálogo abertos. Segundo ele, não houve, à época, intenção de rompimento político. “Caminhamos juntos, havia um desenho, e ninguém podia dizer que a intenção era perder o PP”, disse.
Jerônimo ressaltou ainda que, na condição de governador, não interfere nas decisões internas das legendas, mas defendeu o diálogo como instrumento para superar eventuais impasses. “Se houver algum problema interno, precisamos procurar Otto [Alencar, presidente estadual do PSD] para entender. Enquanto governador, não tenho o direito de entrar dentro do partido para tomar todas as decisões”, declarou.
Na mesma entrevista, o governador afirmou que mantém conversas com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, do MDB, com foco na construção da chapa majoritária e na manutenção da coesão da base aliada. O tema ganhou destaque após Geddel afirmar publicamente que o MDB não abriria mão da vaga de vice-governador na chapa de reeleição.
Segundo Jerônimo, o dirigente do MDB entrou em contato na noite anterior para reafirmar o interesse em participar do processo político. O governador disse considerar legítima a reivindicação do partido por espaço na composição. “Ele quer construir esse ambiente, participar, e isso é justo. Dentro dessa composição, a gente precisa contemplar a todos”, afirmou, pontuando que ainda não há definição sobre suplências.
O governador explicou que as tratativas com o MDB avançam paralelamente às discussões envolvendo o PSD. Ele relatou reuniões recentes com o senador Otto Alencar e contatos com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, e observou que a saída de um senador pode impactar a força da bancada federal do partido. Para Jerônimo, o cenário exige ajustes para preservar a representatividade. “Demandas como essas são justas. Vamos trabalhar para que a bancada seja absorvida dentro de uma montagem que ajude os partidos”, disse.
Jerônimo também reforçou a intenção de manter o MDB fortalecido na estrutura do governo estadual, lembrando que a legenda ocupa secretarias estratégicas, como as de recursos hídricos, saneamento e administração prisional, além de ter articulação nacional consolidada. “A intenção é colocar tudo no xadrez, ver como a chapa se fortalece e como os partidos também se fortalecem. Com a cabeça quente, a gente não resolve as coisas”, completou.
Fonte: Tribuna da Bahia



