Depois de atingir um dos maiores índices de inadimplência do país em abril, a Bahia registrou uma leve melhora no pagamento dos aluguéis em maio. O alívio, porém, ainda está longe de representar uma mudança de cenário. De acordo com o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), produzido pela empresa de tecnologia Superlógica, o estado continua com uma taxa bem acima da média nacional, sinalizando que muitas famílias e empresas ainda enfrentam dificuldades para manter os compromissos em dia.
Segundo o levantamento, elaborado a partir de uma base anonimizada de mais de 800 mil contratos de locação administrados por imobiliárias em todo o Brasil, a inadimplência na Bahia caiu de 6,51% em abril para 5,75% em maio. A redução foi de 0,76 ponto percentual. Apesar do recuo, o índice permanece superior à média brasileira, que fechou o mês em 3,22%.
Na comparação com maio do ano passado, os dados mostram que a situação ainda inspira atenção. Conforme o levantamento, a inadimplência no estado avançou 1,52 ponto percentual em um ano, passando de 4,23% para 5,75%. O desempenho coloca a Bahia entre os estados com maior dificuldade para manter os contratos de aluguel em dia.
O cenário também chama atenção quando comparado ao restante do Nordeste. Embora a região continue liderando o ranking nacional da inadimplência, com taxa média de 5,39%, a Bahia registrou um percentual ainda mais elevado. Para o mercado imobiliário, isso demonstra que a recuperação financeira dos inquilinos no estado ocorre em ritmo mais lento do que em boa parte do país.
Na avaliação do diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves, a queda observada em maio é um sinal positivo, mas ainda insuficiente para indicar uma recuperação consistente.
“A queda registrada em maio causa certo otimismo, mas o estado segue com taxas acima da média nacional, razão pela qual o cenário ainda não é plenamente positivo. Com inflação e juros ainda em patamar elevado em 2026, a pressão sobre o orçamento das famílias e, por consequência, na capacidade de pagamento dos inquilinos, continua exigindo atenção”, afirma.
Os dados também revelam que os imóveis de menor valor continuam concentrando os maiores índices de atraso. Segundo o estudo, os contratos de até R$ 1 mil lideram a inadimplência no país tanto entre os imóveis residenciais quanto comerciais. Nos imóveis residenciais dessa faixa de preço, a taxa passou de 5,56% para 6,31%. Já entre os comerciais, o índice aumentou de 7% para 7,60%.
Na prática, o resultado reflete as dificuldades enfrentadas pelas famílias de menor renda, mais expostas aos efeitos da inflação, do custo de vida elevado e do crédito mais caro. Com o orçamento comprometido, o aluguel passa a disputar espaço com outras despesas essenciais, como alimentação, energia elétrica e transporte.
Outro movimento observado pelo levantamento foi o aumento da inadimplência nos contratos de maior valor. Conforme o índice, os aluguéis residenciais acima de R$ 13 mil registraram alta de 4,52% para 6,16% em maio. Nos imóveis comerciais dessa mesma faixa, a taxa passou de 4,43% para 4,90%.
Segundo Manoel Gonçalves, o crescimento da inadimplência entre os imóveis de alto padrão está diretamente ligado às dificuldades enfrentadas por empresários e empreendedores, que representam boa parte desse público.
“Os contratos de maior valor seguem preocupando as imobiliárias e administradoras pelo impacto financeiro que representam. Quem aluga um imóvel acima de R$ 13 mil, geralmente, tem renda familiar acima de R$ 40 mil, três vezes o valor do aluguel, dentro da margem de segurança padrão. Mas esse perfil é, em grande parte, composto por empreendedores, comerciantes e empresários. E o empresário brasileiro está sob pressão real: carga tributária crescente, menor giro da economia e crédito mais caro”, analisa.
De acordo com a pesquisa, os imóveis comerciais continuam apresentando os maiores índices de inadimplência no Nordeste, alcançando 7,84% em maio. As casas registraram taxa de 5,76%, enquanto os apartamentos chegaram a 3,85%, mantendo tendência de crescimento em relação ao mês anterior.
No recorte nacional, todos os tipos de imóveis apresentaram aumento da inadimplência. Segundo o levantamento, o índice das casas passou de 3,31% para 3,69%; o dos apartamentos subiu de 2,11% para 2,35%; e o dos imóveis comerciais avançou de 4,21% para 4,39%.
Entre as regiões brasileiras, conforme o Índice de Inadimplência Locatícia, o Nordeste permanece na liderança, com taxa de 5,39%, seguido pelo Norte, com 4,38%. O Sudeste aparece em terceiro lugar, com 3,15%, à frente do Centro-Oeste, que registrou 2,85%. O Sul continua apresentando o menor índice do país, com 2,67%.
Embora a redução registrada em maio represente uma notícia positiva para o mercado de locação, os dados indicam que a Bahia ainda convive com um nível de inadimplência significativamente superior ao observado na maior parte do Brasil. Na avaliação do setor, a recuperação dependerá da melhora do ambiente econômico, com inflação mais controlada, redução dos juros e maior capacidade financeira de famílias e empresas para honrar seus compromissos.
Fonte: Tribuna da Bahia



