A prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, ocorrida nesta quinta-feira (16), escancara um rastro de luxo que chamou a atenção dos investigadores: apartamentos milionários, endereços cobiçados e negociações feitas às pressas.
A Polícia Federal (PF) foi atrás e encontrou seis imóveis ligados ao esquema — quatro em São Paulo, dois em Brasília. No papel, tudo somado passa de R$ 140 milhões, segundo a colunista Malu Gaspar, de O Globo.
Na prática, a suspeita é de que parte desse patrimônio tenha sido usada como moeda de troca para viabilizar operações consideradas fraudulentas dentro do banco.
A ordem de prisão partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em decisão mantida sob sigilo no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Apartamentos de alto padrão no radar
Entre os imóveis mapeados, alguns ficam em áreas onde o metro quadrado já não é para qualquer bolso. Um deles está no edifício Vizcaya Itaim, próximo à Faria Lima, em São Paulo — um por andar, 25 unidades no total. Ainda em fase final de obra, com entrega prevista para julho, os apartamentos ali são anunciados entre R$ 30 milhões e R$ 46 milhões. Restam poucos.
Outro endereço chama ainda mais atenção: o Heritage, também no Itaim. No mercado imobiliário de alto padrão, é tratado como um dos prédios mais caros do país. As unidades chegam a mil metros quadrados e ultrapassam facilmente a casa dos R$ 40 milhões.
No meio desse cenário, o nome de Paulo Henrique Costa chegou a aparecer na lista de moradores.
Pressa para vender
Mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — indicam um movimento curioso no dia em que ele foi preso. Havia pressa para vender um dos apartamentos no Vizcaya. O motivo: o avanço de apurações que já miravam o imóvel como possível pagamento de propina.
Segundo a colunista, nos bastidores do mercado imobiliário, a desconfiança já circulava. Corretores tentaram negociar algumas dessas unidades nos últimos meses, mas esbarraram na mesma barreira: a origem do dinheiro levantava dúvidas.
Operação alcança operador financeiro
Além de Costa, a operação também atinge o advogado Daniel Monteiro. Ele aparece como peça-chave na engrenagem financeira: administrava fundos e contas que, na visão da PF, teriam sido usados por Vorcaro para desviar recursos do banco e irrigar pagamentos indevidos.
Monteiro, considerado homem de confiança do empresário, chegou a representar o Banco Master em tratativas com o BRB.
Negativa anterior
As suspeitas envolvendo pelo menos um dos apartamentos já tinham vindo à tona antes, em reportagem do Uol. Na ocasião, Paulo Henrique Costa negou qualquer ligação com o imóvel ou com tentativas de venda.
Agora, de acordo com a colunista, com a investigação mais avançada, o conjunto de bens de alto padrão entra no centro da apuração, não só pelo valor, mas pelo papel que pode ter desempenhado dentro do esquema.
Fonte: BNews



