Ungido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso por liderar uma trama golpista após as eleições de 2022, o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve o seu primeiro ‘telhado de vidro‘ quebrado na saga da sua ainda pré-candidatura ao Palácio do Planalto, ao ter um áudio comprometedor vazado.
No passado, a hoje deputada federal Roseana Sarney passou por algo parecido quando arquitetou uma aventura ao Planalto.
No caso de Flávio, o áudio em questão é de uma conversa com Daniel Vorcaro, o banqueiro que se tornou leproso, com o perdão do uso da palavra, em Brasília. Na conversa divulgada com ampla repercussão, o senador pede, implora para que o ‘homem do Banco Master’ patrocine o filme sobre a vida do seu pai. A bomba, negada inicialmente, foi confirmada pelo senador, que se viu sem saída.
Ou admitia ou comprava briga com a Polícia Federal, sempre um calo no seu pé, e com a imprensa que tinha a prova viva. Para Flávio, não restou alternativas: o menos pior era deixar o primeiro telhado de vidro ser quebrado.
Dentro do PT, quem conversa, faça chuva ou faça sol, sabe: a ideia era esperar a pré-candidatura se consolidar para iniciar os ataques. Nem foi necessário, já que a divulgação do áudio já destrói parte do trabalho feito até aqui pela pré-campanha do ‘herdeiro de Bolsonaro’, muito bem feita, por sinal, há de considerar.
Flávio seguia o roteiro como ‘manda o figurino‘. Apesar de ter a sombra do pai, que atrapalha com a mesma força que ajuda, o parlamentar se empenhou em criar uma imagem de jovem legal/pai de família/centro-direita, que deixava e ainda deixa a impressão de que não era o velho Bolsonaro.
Claro, o episódio do áudio em que chega a chamar Vorcaro de ‘irmão‘, com muita intimidade, não é o único que pode causar estrago em sua candidatura, caso ela permaneça de pé.
Não precisa fazer esforço para lembrar das ‘rachadinhas‘ dos tempos de deputado estadual pelo Rio de Janeiro, da relação para lá de complicada com Adriano da Nóbrega, e a mal contada história sobre compras de imóveis. Isso tudo, claro, já seria e será usado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no momento certo.
A conversa de ‘Zap‘ entre Flávio e Vorcaro, no entanto, coloca não somente o pré-candidato, mas todo o seu entorno, em uma crise antes mesmo da sua campanha começar. Antes que se pense no ‘desgaste‘ do tema nos próximos meses, é preciso lembrar de um episódio parecido que ocorreu em 2002.
Exemplo similar
Na ocasião, o favorito Lula, que já havia perdido outras três eleições, ganhou uma ‘pré-adversária‘ capaz de complicar seu caminho até o Planalto. Roseana Sarney, aposta do PFL, filha do ex-presidente José Sarney, e governadora do Maranhão, começou a subir nas intenções de voto, chegando a empatar tecnicamente com o petista. Assim como Flávio, virou uma pedra no sapato.
Roseana, no entanto, também tinha um telhado de vidro. Em abril de 2002, Jorge Murad, marido da então governadora, foi centro de um escândalo envolvendo irregularidades na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, que culminou no ‘caso Lunus‘.
Roseana derreteu rapidamente e desistiu da empreitada, acusando o PSDB de tramar contra sua pré-candidatura para fortalecer José Serra, escolha dos tucanos.
Sobraram então Serra (PSDB), Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS) como postulantes a um segundo turno contra Lula, que já liderava sem qualquer risco. Deu Serra, que nem chegou perto de vencer o petista, mas ganhou a queda de braço contra os demais adversários.
Flávio, claro, tem mais gordura para queimar, uma vez que é herdeiro do trono bolsonarista, que possui fiéis de primeira linha, que não devem abandonar sua pré-candidatura logo de cara. O candidato do PL, porém, sofreu o primeiro, e quem sabe até o maior baque de sua campanha.
Fonte: A Tarde



