A Bahia deverá registrar, em 2026, a maior safra de grãos de sua história. A nova estimativa divulgada na última quinta-feira (14) pelo IBGE aponta produção de 13,256 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas no estado, crescimento de 3,2% em relação ao resultado de 2025.
Os números fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), atualizado em abril. O volume previsto representa aumento de 416,9 mil toneladas frente à safra anterior e consolida um novo recorde histórico para a agricultura baiana.
Na comparação com a estimativa divulgada em março, houve revisão positiva de 2,9%, equivalente a mais 369,2 mil toneladas. Segundo o IBGE, a alta foi impulsionada principalmente pelas novas projeções para soja e algodão herbáceo.
A soja segue como principal produto agrícola do estado, respondendo por cerca de 67,4% da produção total de grãos. A previsão é de colheita recorde de 8,929 milhões de toneladas em 2026, volume 3,8% superior ao registrado no ano passado.
Em relação à estimativa de março, a produção de soja teve crescimento de 2,5%, o que representa acréscimo de 221,6 mil toneladas. O avanço está associado ao aumento da produtividade média das lavouras, estimada em 4.100 quilos por hectare.
Outro destaque da safra baiana é o algodão herbáceo. A previsão atual aponta produção de 1,845 milhão de toneladas, alta de 19% frente à estimativa de março. Na comparação anual, o crescimento esperado é de 2,8%.
Com esses números, a Bahia deverá permanecer como a segunda maior produtora nacional de algodão em 2026, responsável por 20,5% da safra brasileira, atrás apenas de Mato Grosso.
Por outro lado, o levantamento indica queda na previsão da primeira safra de feijão. A estimativa passou para 100,8 mil toneladas, redução de 24,1% em relação à previsão anterior. Ainda assim, o volume esperado permanece 16,7% acima da produção registrada em 2025.
O cenário positivo da agricultura baiana acompanha o desempenho nacional. Segundo o IBGE, o Brasil deverá colher 348,7 milhões de toneladas de grãos em 2026, crescimento de 0,7% em comparação com o ano passado.
Mesmo diante da expansão nacional, a Bahia mantém posição de destaque e deve continuar com a sétima maior safra de grãos do país, respondendo por 3,8% da produção brasileira.
Além dos grãos, o levantamento mostra perspectiva favorável para a maior parte das culturas agrícolas investigadas no estado. Das 26 safras acompanhadas pelo IBGE, 18 devem apresentar crescimento em relação a 2025.
Entre os produtos com maiores avanços absolutos está novamente a soja, seguida pelo milho da primeira safra, cuja produção deve crescer 8,1%, com aumento estimado de 156 mil toneladas.
O algodão herbáceo aparece logo em seguida entre os destaques positivos, com expectativa de acréscimo de 51 mil toneladas frente ao ano anterior.
O café canephora também teve revisão positiva significativa entre março e abril. A estimativa de produção subiu 53,4%, fazendo com que a previsão para 2026 passasse a superar a safra obtida em 2025.
Apesar do cenário majoritariamente favorável, algumas culturas devem registrar retração neste ano. A maior queda absoluta prevista é para a cana-de-açúcar, com redução de 741,4 mil toneladas, equivalente a 11,9%.
O milho da segunda safra também apresenta perspectiva negativa, com retração estimada em 11,5%, o que representa menos 92,4 mil toneladas em relação ao ano passado.
Outra cultura com previsão de queda é a mandioca, cuja produção deve diminuir 3,8%, equivalente a menos 34,1 mil toneladas.
Os dados do LSPA reforçam o peso do agronegócio na economia baiana, especialmente nas regiões produtoras do oeste do estado, onde soja e algodão concentram grande parte da produção agrícola.
Segundo o IBGE, as revisões positivas refletem melhorias nas expectativas de rendimento das lavouras e condições mais favoráveis para parte das culturas acompanhadas no estado ao longo do ciclo produtivo de 2026.
Fonte: Tribuna da Bahia



