A ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã vai adiar a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O encontro estava previsto para a próxima semana, em Washington, mas integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a agenda deve ser remarcada para o próximo mês. Até o momento, o governo americano ainda não confirmou uma nova data.
Apesar do impacto global do conflito, especialmente sobre o preço do petróleo, a conversa deve se concentrar na agenda bilateral, com foco na relação comercial entre os dois países e na tentativa de remover as tarifas ainda impostas aos produtos brasileiros, avaliam especialistas ouvidos pelo Correio.
Nesse cenário, a guerra tende a ter pouca influência direta na posição brasileira, além de uma defesa mais enfática pelo fim das hostilidades. O encontro já fazia parte da agenda de Lula, como o próprio presidente afirmou a jornalistas no fim de fevereiro, durante viagem oficial à Coreia do Sul. “Ainda não está marcada a reunião. Acho que precisa ser lá pelo dia 16 de março, ou próximo a essa data. E, quando tiver a reunião, nós vamos conversar sobre os assuntos”, disse o chefe do Executivo.
Trump, por sua vez, evitou confirmar a data ao ser questionado, em 27 de fevereiro, sobre quando ocorreria a reunião. “Eu me dou muito bem com o presidente do Brasil. Eu adoraria (recebê-lo)”, disse a jornalistas na Casa Branca. No dia seguinte, EUA e Israel bombardearam o Irã.
Com a escalada da crise no Oriente Médio, o presidente Lula se reuniu na última segunda-feira com o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, para avaliar o cenário envolvendo o Irã. Durante a conversa, foi mencionada a possibilidade de o Brasil atuar como mediador do conflito.
Como referência, surgiu a Declaração de Teerã, acordo firmado em 2010 com mediação de Brasil e Turquia, no qual o Irã se comprometia a manter seu programa nuclear apenas para fins pacíficos, voltados à geração de energia.
O entendimento, no entanto, acabou rejeitado pelos Estados Unidos, então governados por Barack Obama. Na atual conjuntura, parte da diplomacia brasileira avalia que não há espaço para uma nova tentativa de mediação e que uma iniciativa nesse sentido poderia prejudicar a posição do país no cenário internacional.
Fonte: Tribuna da Bahia



