As vitrines já mudaram de cor, os corredores dos shoppings começam a ganhar decoração temática e o comércio de rua intensificou promoções para uma das datas mais importantes do calendário varejista: O Dia das Mães. Considerado o segundo melhor período de vendas do ano, atrás apenas do Natal, a data renova a expectativa de lojistas em Salvador e em toda a Bahia, mesmo diante de um cenário econômico ainda marcado por juros elevados, restrição de crédito, inadimplência das famílias e incertezas no mercado de trabalho, conforme apontam especialistas.
A projeção inicial do setor lojista é de crescimento em torno de 5% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço, embora positivo, é inferior ao desempenho registrado em 2025, quando a alta ficou próxima de 8% a 10% sobre 2024, impulsionada por ambiente econômico mais favorável e maior circulação de crédito.
Presidente do Sindilojas Bahia, Paulo Motta afirmou que o comércio entra no mês de maio com expectativa moderadamente positiva, porém cercada de cautela. “Maio é um mês importantíssimo para o varejo, é o segundo melhor período de vendas do ano. Mas vivemos um momento de apreensão, e isso exige prudência nas projeções”, disse.
Segundo ele, o crescimento esperado de cerca de 5% mostra resiliência do setor, mas abaixo do ritmo observado no ano passado. “Em 2025 tivemos um desempenho melhor. Agora, o empresário está mais cuidadoso diante das incertezas econômicas”, pontuou.
Entre os produtos mais procurados devem prevalecer os chamados bens não duráveis, de menor valor agregado e compra imediata, como perfumes, roupas, lingeries, calçados, bijuterias, flores e itens de beleza. Especialistas do varejo avaliam que esse comportamento está diretamente ligado ao orçamento apertado das famílias e à dificuldade de parcelamento.
Paulo Motta também citou preocupação em relação à projeção de vagas temporárias. Segundo ele, empresários estão apreensivos diante das discussões nacionais sobre mudanças nas relações de trabalho, como o debate em torno do fim da escala 6×1. O risco, segundo a categoria, é gerar insegurança para empresas e empregos.
Este ano, embora o Dia das Mães continue sendo uma mola propulsora do comércio, a tensão está presente entre o setor. Propostas locais que impactam o funcionamento do comércio e dos shoppings tem causado temor. Segundo Motta, tramita na Câmara Municipal de Salvador um projeto que prevê redução do horário de funcionamento de atividades comerciais e de centros de compras.
Para ele, medidas desse tipo, quando apresentadas sem diálogo prévio com o setor produtivo, ampliam a cautela dos empresários, especialmente em períodos estratégicos de vendas. Mota é enfático ao informar ue ainda não há projeção consolidada para abertura de vagas temporária. “O cenário de incertezas econômicas e regulatórias dificulta o planejamento das empresas para novas contratações. No momento, não temos como projetar”, declarou.
Abrasce – A expectativa nos shopping centers é numericamente mais otimista. Presidente da Abrasce, Edson Piaggio afirmou que a previsão é de crescimento de 7% nas vendas para o Dia das Mães em relação ao ano passado, impulsionado pela força da data no calendário nacional e pelas campanhas preparadas pelos empreendimentos.
Segundo Piaggio, cada centro de compras adota estratégias próprias para atrair consumidores, embora todos reforcem a comunicação institucional voltada para a celebração. “Cada shopping tem sua estratégia comercial, suas promoções e ações específicas, mas todos trabalham a referência da data e a comunicação com o público”, destacou.
Edson Piaggio observou ainda que, neste ano, a tendência é de maior procura por bens não duráveis, como roupas, cosméticos, perfumes e acessórios. Conforme ele, produtos duráveis dependem mais de financiamento e crédito, o que esbarra no elevado endividamento das famílias e nas taxas de juros ainda altas. “Os itens de maior valor exigem parcelamento e crédito disponível. Nesse cenário, o consumidor tende a optar por presentes mais acessíveis”, avaliou. A Fecomércio-BA ainda não divulgou estimativa oficial de vendas para a data.
Governo tem que propor boa renegociação de dívidas para alavancar comércio, dizem entidades
Apesar da projeção positiva para o Dia das Mães, representantes do setor varejista avaliam que o desempenho do comércio ainda esbarra em entraves econômicos importantes, como juros elevados, inadimplência das famílias, crédito restrito e incertezas no ambiente de negócios. Na avaliação de dirigentes empresariais, a recuperação mais consistente das vendas passa necessariamente por políticas públicas voltadas à reorganização financeira da população e ao estímulo ao consumo responsável.
Presidente da Abrasce, Edson Piaggio ponderou que o setor acompanha com atenção o cenário econômico nacional especialmente propostas ligadas à redução da jornada e ao fim da escala 6×1. Segundo ele, o tema exige debate técnico e cautela já que pode impactar custos operacionais, consumo e geração de empregos.
O dirigente observou ainda que o Brasil convive com índices de produtividade inferiores aos de outros mercados emergentes, como Chile, Argentina e África do Sul. “Mudanças estruturais precisam considerar esse contexto para não comprometer a competitividade da economia brasileira e a capacidade de investimento das empresas”, diz Piaggio.
Já o presidente do Sindilojas Bahia, Paulo Motta, destacou que produtos de maior valor agregado tendem a perder espaço neste ano justamente pela dificuldade de acesso ao crédito. “Com juros altos e inadimplência forte, muita gente perde limite no cartão e fica fora do mercado de consumo. Isso reduz a compra de presentes mais caros”, afirmou.
Segundo Motta, a regularização de dívidas e a retomada do crédito são fatores centrais para aquecer o consumo e impulsionar o varejo. Para ele, programas consistentes de renegociação, redução de encargos e facilitação do reingresso do consumidor ao sistema financeiro podem ampliar as vendas em datas importantes e fortalecer a economia como um todo. Na avaliação do dirigente, quanto mais brasileiros recuperarem capacidade de compra, maior tende a ser a reação do comércio nos próximos meses.
E-commerce – Outro fator de pressão citado pelo presidente do Sindilojas Bahia, Paulo Motta, é o avanço acelerado do comércio eletrônico, hoje um dos principais concorrentes das lojas físicas de rua e dos shopping centers. Segundo ele, plataformas digitais ganharam força ao oferecer comodidade ao consumidor, possibilidade de compra sem sair de casa, entregas cada vez mais rápidas, ampla variedade de produtos e facilidade de comparação de preços. Na avaliação do dirigente, esse cenário obriga o varejo tradicional a investir mais em promoções, atendimento qualificado, experiência de compra e condições especiais de pagamento para manter competitividade, sobretudo em datas estratégicas como o Dia das Mães.
População está ansiosa por preços mais atrativos nas vitrines
Nos corredores de um shopping da capital, a auxiliar administrativa Juliana Santos contou que já começou a pesquisar, mas ainda espera ofertas melhores. “Estou olhando vitrines e comparando preços. Ainda não vi promoções tão atraentes, mas acredito que mais perto da data as lojas devem melhorar as condições”, disse.
Situação semelhante vive o motorista por aplicativo Carlos Menezes, que pretende presentear a mãe de forma mais simples neste ano. “Não vai dar para comprar nada caro. Ainda estou pagando dívidas do cartão por causa do Réveillon e do Carnaval. Acho que vou de flores e um almoço em família, que também vale muito”, relatou.
Já a professora aposentada Maria de Lourdes Silva afirmou que o valor da data está além do presente material. “Claro que carinho em forma de presente é bom, mas o que importa mesmo é amor de filho, presença no dia a dia, respeito às mães como mulheres e reconhecimento por tudo que fazem”, declarou.
Na Bahia, os centros de compras já apostam em campanhas especiais, decoração temática, estacionamento promocional, brindes e sorteios para ampliar o movimento nas próximas semanas. Lojas físicas também devem reforçar estratégias como descontos à vista, parcelamentos próprios e até emissão de boletos, alternativa encontrada por parte do varejo para atender consumidores sem acesso ao crédito tradicional.
Para lojistas, apesar das dificuldades, a aposta segue na força afetiva da celebração. Em tempos de orçamento apertado, a tendência é de presentes mais simbólicos e planejados, sem que a data perca relevância para o comércio e para as famílias.
No entanto, outro fator de pressão citado pelo presidente do Sindilojas Bahia, Paulo Motta, é o avanço acelerado do comércio eletrônico, hoje um dos principais concorrentes das lojas físicas de rua e dos shopping centers. Segundo ele, plataformas digitais ganharam força ao oferecer comodidade ao consumidor, possibilidade de compra sem sair de casa, entregas cada vez mais rápidas, ampla variedade de produtos e facilidade de comparação de preços.
Fonte: Tribuna da Bahia



