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Tarifaço dos EUA: Entenda como a guerra comercial pode ameaçar empregos e tirar R$ 1,8 bilhão da Bahia

As tarifas aplicadas aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos, denominadas de tarifaço, já afetam o bolso dos baianos. Segundo estimativas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) haverá uma retração entre 0,27% e 0,38% no PIB (Produto Interno Bruto) do estado, o que representa uma perda que gira entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão.

Mais do que o aumento imediato no preço dos produtos na prateleira do supermercado, para os baianos há o risco do desemprego, freio na oferta de vagas de emprego, queda na renda e perda do poder de compra. Diferente da média nacional, em que quase metade do valor exportado conseguiu isenção, cerca de 63% do valor dos produtos industriais baianos exportados para os EUA continuaram com as tarifas de 50%, revogadas posteriormente pela Suprema Corte.

Após anunciar outras tarifas de 25%, o governo dos Estados Unidos confirmou uma nova taxação de 12,5% contra a importação de produtos brasileiros, na última quinta-feira (23). Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, as alíquotas são de 10% para países que “se comprometeram a adotar e a aplicar efetivamente proibições à importação de trabalho forçado”; e de 12,5% para países que não teriam adotado tal proibição.

Setores afetados

Um dos setores mais afetados na Região Metropolitana de Salvador (RMS) é o de pneus, especialmente, os de carga, para caminhão e ônibus, atingidos em cheio pelas tarifas. A Bahia exportava cerca de 60% de sua produção de pneus para os EUA.

No Polo Petroquímico de Camaçari, itens como o butadieno não saturado tiveram as vendas interrompidas para o mercado norte-americano devido ao custo inviável. No setor de Metalurgia e Mineração, as ferroligas, ferrosilício e magnésia calcinada registraram forte recuo ou paralisação nos embarques. No sul da Bahia, a manteiga de cacau sofreu forte impacto, afetando a principal região produtora do estado.

No Extremo Sul, a celulose foi um dos principais alvos da sobretaxa e ameaçou a rentabilidade da cadeia de silvicultura. No Oeste e Vale do São Francisco, o café, as mangas e uvas chegaram a enfrentar barreiras severas, embora alguns produtores tenham antecipado estoques para amortecer o baque inicial. O café e a manga passaram a entrar na lista de exceção.

O que fazer para minimizar os impactos?

O Governo do Estado, por meio da SDE (Secretaria de Desenvolvimento Econômico), a FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia) e o Ministério do Desenvolvimento (MDIC) articulam, em Brasília, para negociar novas frentes de isenção técnica com o governo americano para produtos em que os Estados Unidos dependem do Brasil.

Outra alternativa é redirecionar mercados com foco no escoamento de excedentes para outros grandes parceiros comerciais da Bahia, como a China, maior comprador desde 2012, e o Canadá. Além disso, a avaliação do governo é tentar absorver parte dessa demanda no próprio mercado interno brasileiro.

Há ainda pleitos junto ao Governo Federal para a ampliação do Reintegra, mecanismo que devolve resíduos tributários aos exportadores, em torno de 3%, para dar fôlego financeiro às indústrias locais, manter as portas abertas e preservar os empregos baianos.

Impacto residual com as novas tarifas de 25%

O Consultor Econômico da Fecomércio Bahia, Guilherme Dietze, avalia que mesmo com a nova tarifa de 25%, vários produtos entraram na lista de exceção, que não estavam anteriormente ou que estavam e continuam, como é o exemplo do café, da laranja, e de vários produtos agrícolas, dentre outros. Por isso, ele acredita que não haverá grandes mudanças.

“O impacto vai ser muito residual agora, porque não tem tanto da pauta exportadora da Bahia, está mais específico de uma indústria de transformação do que propriamente no agronegócio. Então, você pega derivados de petróleo, celulose, algumas coisas que podem afetar a exportação, tornar menos competitivo, não quer dizer que haverá de fato uma redução de exportação”, explicou o especialista.

“Ainda é cedo para saber o real impacto. Não deve ter um impacto mais residual do que a gente vinha vendo no início do tarifas. E para os consumidores baianos não deve ter uma alteração, deve permanecer como está, porque uma indústria não vai deixar de exportar para lá para jogar para o mercado interno e baratear para o consumidor. Não tem uma lógica tão direta assim”, acrescentou.

Para Dietze, não haverá mais um impacto para a economia brasileira, de forma geral, na questão de perda de competitividade com os Estados Unidos, que é um grande mercado, já que muitos itens entraram na lista de exceção. ” O que ajudou bastante a amenizar os impactos desse tarifaço”, ressaltou.

Desafios para o etanol, calçados e rochas ornamentais

Já o professor e consultor de Economia e Finanças, Antônio Carvalho, disse que as tarifas impostas pelo governo norte americano sobre os produtos brasileiros no último dia 22 de julho trarão impactos e desafios para os baianos.

“Dentre os produtos sobreraxados, etanol, calçados, mármores e granitos estão entre os produtos baianos afetados pela medida. Embora a maioria dos produtos baianos exportados para os EUA tenham ficado fora do tarifaço esses três setores da economia baiana são responsáveis por uma fatia importante da economia e dos empregos, em diferentes regiões do estado”, destacou.

Carvalho aponta algumas saídas para driblar as tarifas. “Além de usar habilidades diplomáticas e comerciais para reverter ou atenuar as alíquotas impostas, o governo e os empresários brasileiros precisam prospectar novos mercados para reduzir a dependência do país norte-americano”, avaliou.

US$ 273 milhões em risco para a Bahia

O economista e Presidente do Corecon-BA (Conselho Regional de Economia da Bahia), Edval Landulfo, confirmou que, segundo o levantamento da FIEB e dados do Ministério da Indústria e Comércio, o valor em risco é de cerca de 273 milhões de dólares, mais ou menos um bilhão e meio em reais, em produtos baianos serão atingidos diretamente pelas sobretaxas.

“Esse montante representa cerca de 33,2% de tudo que a Bahia exporta para os Estados Unidos. Esse encarecimento ou freio nas exportações gera um efeito nominal no mercado interno. Então o risco de emprego e renda no interior, que será o maior impacto”, disse.

“Se o fluxo de dólares no país diminui devido à queda global de vendas para os Estados Unidos há uma pressão na alta do dólar, então, que encarece produtos importados como trigo, combustíveis e insumos agrícolas”, acrescentou.

Dentre os setores afetados estão a silvicultura e a celulose, que é um segmento que lidera as vendas baianas para os Estados Unidos e sofre o maior impacto financeiro direto.

“Para mitigar os prejuízos e buscar a redução do cenário, o setor público e privado atuam em quatro frentes principais: diplomacia econômica e negociação direta; redirecionamento de mercados; apoio e crédito aos exportadores e o fortalecimento no mercado interno”, concluiu.

Fonte: BNews

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