A refinaria Gran Bahia, localizada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, obteve benefícios fiscais bilionários com validade até 2032. No entanto, o verdadeiro controlador do empreendimento segue sob sigilo, alimentando especulações no setor sobre a identidade por trás do negócio. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
A principal suspeita recai sobre o empresário Ricardo Magro, proprietário do grupo Refit. Apesar das negativas formais, indícios apontam para sua possível ligação com o projeto. Documentos da Receita Federal indicam que a refinaria tem como sócios formais Augusto Bellucci e o fundo de investimento EUV SV2, com capital social declarado de R$ 10 milhões. Segundo a Folha, a reportagem tentou contato com Bellucci, mas não obteve retorno. Ele já esteve à frente de uma empresa de informática extinta em São Paulo.
O fundo EUV SV2, por sua vez, é o controlador da TLIQ Logística, que integra o grupo Refit. De acordo com registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o fundo possui apenas um cotista, cuja identidade não foi revelada. Pedro Calmeron Carvalho, sócio da FIDD — administradora do EUV SV2 — alegou que a informação está protegida por sigilo legal. A FIDD também é responsável pela gestão do fundo EUV Denali, que investe em empresas controladas por Ricardo Magro, como Nacional Petróleo, Direcional, Petro Norte e Sudeste Distribuidora. Calmeron Carvalho se recusou a comentar sobre esses investimentos e não confirmou se há ligação entre os dois fundos.
Procurada, a Refit negou qualquer vínculo com a refinaria ou com o fundo mencionado. O governo da Bahia também foi questionado, mas, de acordo com a Folha, não respondeu até a publicação da reportagem.
Conforme a publicação, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE) concedeu à Gran Bahia um pacote de incentivos que inclui o diferimento do ICMS para importação de bens destinados a ativos fixos e matérias-primas como nafta e óleos brutos por um período de três anos. Além disso, a empresa recebeu autorização para pagar o imposto com juros reduzidos em um prazo estendido de seis anos.
Apesar dos incentivos e do avanço nas articulações para a instalação da planta, a refinaria ainda não conta com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), órgão responsável por regulamentar o setor no país.
Fonte: Tribuna da Bahia



