O senador Flávio Bolsonaro (PL), 45, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80, disputarão o segundo turno da eleição presidencial de 2026, marcado para o dia 25 de outubro.
Com 99,04% das urnas apuradas, Flávio tinha 47,20% dos votos e Lula, 44,96%.
A apuração dos votos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou o primeiro turno mais acirrado desde 1989, quando o Brasil retomou as eleições diretas após a ditadura militar.
oitava vez a corrida presidencial será definida no segundo turno —as exceções ocorreram em 1994 e 1998. Nenhuma delas, porém, havia registrado um placar tão apertado no primeiro turno como agora.
Flávio Bolsonaro figurou atrás de Lula durante boa parte da pré-campanha e campanha, empatou tecnicamente com o presidente na reta final e agora vai ao segundo turno com uma vantagem sobre o petista.
Apesar do apelo feito por Lula e Flávio na reta final para tentar definir a eleição hoje, o segundo turno já era esperado pelas coordenações das duas campanhas, que agora buscarão apoio dos candidatos derrotados e dos partidos do centrão.
O desafio maior será do presidente Lula, que tenta seu quarto mandato como presidente. O petista foi duramente criticado pelos outros candidatos e viu Flávio Bolsonaro crescer significativamente na reta final, a ponto de ser considerado o favorito no segundo turno por alguns segmentos, como agentes do mercado financeiro.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, já afirmou que pretende procurar os dirigentes dessas legendas —como o presidente do PSD, Gilberto Kassab, vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD)— para costurar um acordo.
Os petistas reconhecem a dificuldade de obter apoios formais das siglas, mas buscam atrair lideranças regionais ou garantir a neutralidade dos partidos. No primeiro turno, a coligação de Lula contou com seis partidos, todos de esquerda.
estratégia repete o molde do primeiro turno, quando essas legendas deixaram de apoiar Flávio Bolsonaro, mantendo o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) isolado.
Flávio iniciou a campanha desacreditado e sem o apoio de outros partidos, mas consolidou-se como o líder da direita e o principal aglutinador do voto antipetista diante da estagnação dos outros candidatos, que não decolaram nas pesquisas.
O senador carioca conseguiu evitar que as acusações envolvendo sua relação com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro ameaçassem seu desempenho eleitoral e viu a crise no STF (Supremo Tribunal Federal), provocada pelo caso Master, afetar diretamente a campanha de Lula.
Desde o dia em que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de uma investigação sobre Vorcaro, expondo trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Master, Flávio subiu gradativamente nas pesquisas até empatar tecnicamente com o petista.
Com sua imagem associada a Moraes, maior algoz do bolsonarismo, Lula começou a ver sua reeleição seriamente ameaçada em setembro e reagiu anunciando uma série de medidas de forte apelo eleitoral, como o reajuste de 15% no Bolsa Família, o fim da chamada “taxa das blusinhas”, a inclusão de canetas emagrecedoras no SUS, e a proibição das casas de apostas (bets) em todo o país.
Nas últimas semanas, o PT também consumiu boa parte de sua munição e do tempo de TV para atacar duramente Flávio, como a relação do senador com milicianos do Rio de Janeiro e os repasses milionários feitos por Vorcaro para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro, objeto de investigação no STF.
segundo turno, a campanha petista deve intensificar os ataques ao adversário, considerado mais fácil de enfrentar inicialmente, e se preparar para o confronto direto, que não ocorreu no primeiro turno porque Lula decidiu não participar dos debates.
Já Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno em uma posição consideravelmente mais forte do que a projetada pelo PT e pelos partidos do centrão há alguns meses, e demonstrando bastante resiliência.
O senador do PL deve ter o apoio imediato de Romeu Zema (Novo), declaradamente antipetista, e ainda pode contar com a adesão de Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Ainda no primeiro turno, setores do mercado financeiro já o colocavam como favorito para derrotar Lula no segundo turno.
Enquanto será cobrado a prestar esclarecimentos sobre suas relações com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme de seu pai, Flávio deve explorar ainda mais o caso Moraes e as suspeitas envolvendo o filho mais velho de Lula e o ex-chefe de gabinete dele com a lobista Roberta Luchsinger, também alvos de inquérito no STF.
Fortalecido pelas ações de André Mendonça, o senador tem utilizado o racha no STF para sustentar a narrativa de que uma ala da Corte atua alinhada ao Palácio do Planalto e que é preciso derrotar Lula porque o próximo presidente terá o direito de indicar mais quatro ministros para o Supremo.
No primeiro turno, Flávio soube conciliar os ataques a ministros do Supremo com a imagem de ‘Bolsonaro moderado’. Ainda assim, ele projetou uma campanha inspirada no pai, replicando locais e símbolos consagrados pelo ex-presidente, como motociatas e até a realização de transmissões ao vivo semanais.
Em um arroubo que fez lembrar o pai, o candidato do PL acusou a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de conluio com o PT após ser alvo de notícias falsas durante a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
Para tentar desviar o foco do episódio, ele anunciou que compareceria ao debate da TV Globo, o último do primeiro turno, mesmo sob a ausência de Lula. No entanto, recuou momentos antes após decisões judiciais que proibiram mostrar o púlpito vazio destinado a Lula e garantiram a participação do adversário Renan Santos (Missão) no evento.
Fonte: UOL



