Do supermercado à farmácia, o cartão de crédito deixou de ser utilizado apenas em compras de maior valor ou parcelamentos. Para três em cada dez brasileiros, a modalidade já serve para cobrir despesas do dia a dia e ajudar a administrar o orçamento mensal. O cenário é apresentado pela primeira edição do Mapa de Crédito da Serasa. Segundo o levantamento, 63% dos brasileiros utilizaram cartão de crédito nos últimos 12 meses, o maior percentual entre as modalidades analisadas.
Entre os consumidores, 30% recorreram ao cartão para despesas cotidianas, 29% para realizar uma compra específica e 18% para lidar com emergências de saúde. A gerente de Crédito da Serasa, Camila Martins, faz uma análise do estudo. “Esse comportamento indica que, para muitos brasileiros, o cartão deixou de ser apenas uma alternativa para compras parceladas e passou a integrar o planejamento financeiro cotidiano”, explica.
A possibilidade de parcelar compras de forma compatível com o orçamento foi apontada por 41% dos entrevistados como uma das principais razões para a preferência pela modalidade. A facilidade de acesso aparece em seguida, com 37%, enquanto 30% mencionaram a disponibilidade de limite pré-aprovado.O levantamento também mostra que outras linhas de crédito são procuradas com finalidades diferentes. Enquanto o cartão aparece mais relacionado às despesas correntes, o empréstimo pessoal e o consignado são utilizados principalmente para pagar contas atrasadas, reorganizar as finanças ou conseguir algum alívio no orçamento.
“Antes de contratar qualquer modalidade, é preciso entender qual é a mais adequada para o objetivo, avaliar os custos envolvidos e, principalmente, como esse compromisso vai impactar o orçamento nos próximos meses”, orienta a especialista da Serasa.
Dados do Cadastro Positivo também mostram que 68% dos adultos brasileiros utilizam pelo menos uma modalidade de crédito. São 119 milhões de pessoas, dentro de uma base de 175 milhões de adultos ativos na Receita Federal. Em média, cada consumidor possui 2,2 modalidades de crédito ativas.
Cartão domina dívidas em Salvador
Na capital baiana, o cartão também ocupa espaço central no orçamento das famílias. Em junho, 77,3% dos lares de Salvador possuíam algum tipo de dívida, o equivalente a 787,7 mil famílias, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Fecomércio-BA.
Entre as famílias endividadas, o cartão de crédito estava presente em 92,6% dos casos. O percentual não significa, necessariamente, atraso na fatura, já que a pesquisa considera também compras parceladas e compromissos financeiros ainda a vencer. No mesmo período, 22,5% das famílias soteropolitanas tinham contas atrasadas, enquanto 9% afirmavam não possuir condições de quitar os débitos. O uso do cartão para gastos rotineiros não representa, isoladamente, falta de controle. A modalidade pode facilitar pagamentos, oferecer prazo e concentrar despesas em uma única data. O risco aumenta, porém, quando o limite passa a complementar permanentemente a renda, as compras se acumulam ou o consumidor deixa de pagar o valor integral da fatura.
Para evitar o desequilíbrio, a recomendação da especialista é acompanhar os gastos antes do fechamento da fatura, considerar as parcelas já contratadas e avaliar se as compras realizadas cabem na renda dos meses seguintes. Quando despesas básicas passam a depender continuamente do crédito, a facilidade do pagamento imediato pode esconder um comprometimento cada vez maior do orçamento futuro.
Fonte: Tribuna da Bahia



