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Bolsonaro articula candidaturas ao Senado enquanto cumpre prisão domiciliar

A um ano das eleições de 2026, Jair Bolsonaro (PL) tem articulado candidaturas ao Senado com aliados que recebe em sua casa em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar. As visitas são feitas mediante autorização pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A eleição ao Senado é considerada crucial pelo ex-presidente, uma vez que alcançar a maioria das cadeiras pode dar poder ao bolsonarismo de contra-atacar o STF com o impeachment de ministros. Bolsonaro já disse em público que, se tiver mais de 50% de cadeiras no Congresso, vai “mandar mais que o presidente da República”, ainda que ele esteja fora do jogo.

Os pré-candidatos que vêm procurando o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para tentar viabilizar a candidatura costuma ouvir dele, segundo relatos feitos ao Estadão, que a escolha passa necessariamente pelo ex-presidente, por se tratar de uma eleição fundamental para se aprovar o impeachment de ministros do STF — uma espécie de fixação do bolsonarismo.

O ex-presidente está convicto de que sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, deve concorrer a uma vaga no Senado, de acordo com o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que o visitou na sexta-feira, 17. Este cenário a colocaria fora da disputa presidencial, para a qual é cotada.

“Em Brasília está muito definido que a Michelle é candidata a Senado. Isso está muito cristalizado na mente dele (Bolsonaro). Ele entende que (é) para proteger a Michelle, (porque) as pessoas sempre saem do Executivo com problemas judiciais infinitos. É proteção de marido”, afirma Sóstenes.

Uma aliada de Michelle diz, sob reserva, que uma eventual candidatura da ex-primeira-dama “não vai partir dela, mas se Bolsonaro pedir”, e que ela tem manifestado o desapego em declarações públicas que tem dado. Num evento do PL em Rondônia em setembro, por exemplo, ela afirmou que “não quer ser presidente, quer ser primeira-dama”.

Bolsonaro vem confundindo aliados com sinais trocados em relação a Michelle, uma vez que ele já sugeriu que a esposa seja vice em uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto.

De qualquer forma, ele disse que nenhum anúncio de candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ser feito antes de fevereiro do ano que vem, segundo parlamentares que estiveram com ele no mês passado.

Fonte: Estadão

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