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Bahia registra menor área sob alertas de desmatamento no Cerrado desde 2017

A Bahia registrou 534,94 km² sob alertas de desmatamento no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, menor volume anual desde o início da série histórica, em 2017/2018. O resultado representa queda de 27% em relação ao ciclo anterior, quando 732,63 km² ficaram sob alerta, uma redução de 197,69 km².

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e marcam o Dia Nacional do Cerrado, celebrado nesta sexta-feira (11). Identificados por imagens de satélite, os alertas indicam possíveis alterações na cobertura vegetal e ajudam a selecionar áreas para análise e fiscalização, mas não representam, por si só, a confirmação de infração ambiental.

A redução registrada na Bahia ocorre em um período de queda dos avisos de supressão da vegetação nativa no Cerrado em âmbito nacional. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, os avisos somaram 4.689,40 km², ante 5.091 km² no mesmo intervalo do calendário anterior, uma redução de 7,9%.

Somente em junho deste ano, os avisos de supressão da vegetação nativa no Cerrado brasileiro atingiram 481,53 km², contra 508,69 km² no mesmo mês de 2025, queda de 5,3%. O Inpe registrou, no entanto, significativa cobertura de nuvens durante o mês, condição que pode ter dificultado o mapeamento em determinadas regiões.

Na Bahia, o Cerrado ocupa cerca de um terço do território, principalmente na região Oeste, e está associado às bacias dos rios São Francisco, Corrente e Grande, além de áreas relacionadas ao Aquífero Urucuia. O bioma também abriga espécies como lobo-guará, tatu-canastra e seriema, além de plantas e frutos como pequi, baru e buriti.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) utiliza monitoramento por satélite, análise de alertas e fiscalização em campo para acompanhar a vegetação nativa no Cerrado baiano. De acordo com o órgão, “o uso dessas ferramentas permite identificar áreas com indícios de supressão, cruzar informações ambientais e direcionar as equipes para locais que demandam verificação, dando maior eficiência às ações em campo”.

Os alertas são combinados com imagens de maior resolução e informações cadastrais dos imóveis rurais para direcionar as equipes aos locais que precisam ser verificados. Entre as ferramentas utilizadas pelo Inema estão MapBiomas Alerta, RedeMAIS e Harpia, além do Sistema Integrado de Fiscalização da Vegetação Nativa (SIFVN), que reúne diferentes fontes de informação desde 2024.

Naquele ano, a Operação Mata do Guará utilizou informações de satélite para selecionar áreas de interesse em sete municípios do Cerrado e vistoriou mais de 3 mil hectares. Em março de 2025, uma nova etapa de fiscalização, integrada à Águas do Oeste, também utilizou imagens de satélite e alcançou mais de 3 mil hectares em cinco municípios do bioma.

O Inema também promoveu, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), uma capacitação de servidores para operar o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor). A plataforma reúne etapas do processo de autorização florestal, desde o cadastro de empreendimentos e inventários até o controle das autorizações emitidas.

No sistema, empreendedores e responsáveis técnicos registram informações sobre planos de manejo sustentável, autorizações para supressão de vegetação e recuperação de áreas degradadas. O uso da plataforma integra as ações de fortalecimento da fiscalização e da gestão florestal informadas pelo Inema.

A conservação do Cerrado também envolve unidades de conservação, como a Estação Ecológica de Rio Preto, localizada entre Formosa do Rio Preto e Santa Rita de Cássia. Criada em 2005, a unidade possui aproximadamente 4,5 mil hectares e protege uma área de transição com características do Cerrado, da Caatinga e da Floresta Estacional.

A prevenção e o combate aos incêndios florestais integram outra frente de atuação, por meio do Programa Bahia Sem Fogo, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), com participação do Inema e de outros órgãos. Conforme o instituto, “a fiscalização e a prevenção de incêndios também integram o Pacto pelo Cerrado, iniciativa que reúne ações de monitoramento, combate ao desmatamento ilegal, educação ambiental e articulação entre instituições”.

Outra medida está voltada à recuperação da vegetação nativa, com edital de R$ 5 milhões lançado em 2025 pela Sema e pelo Fundo Estadual de Recursos para o Meio Ambiente (Ferfa). Segundo o Inema, a iniciativa busca “apoiar projetos de recuperação da vegetação nativa do Cerrado, incluindo produção e plantio de mudas, recuperação de áreas degradadas e monitoramento”.

Perdas acumuladas

Em uma perspectiva nacional e histórica, o Cerrado perdeu 7,9 milhões de hectares de vegetação secundária desde 1987, segundo levantamento de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) na rede MapBiomas. Vegetação secundária é a cobertura nativa que volta a crescer em uma área anteriormente desmatada, por regeneração natural ou por iniciativas de restauração.

Em 2025, o bioma possuía 7,5 milhões de hectares de vegetação secundária, o equivalente a 8% da vegetação nativa existente naquele ano. A perda acumulada dessas áreas desde 1987 corresponde a 13,6% dos 58 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos no Cerrado no período.

O levantamento aponta que 73% da vegetação secundária perdida no bioma foi novamente desmatada até dez anos depois da primeira derrubada, enquanto 26,9% das perdas ocorreram em áreas que estavam em recuperação havia 11 anos ou mais. Entre os dois períodos mais recentes analisados, de 2007 a 2016 e de 2017 a 2025, a perda de vegetação secundária aumentou 19,9%, o equivalente a 400 mil hectares.

Entre 2017 e 2025, 67 dos 1.425 municípios do Cerrado perderam pelo menos mil hectares a mais de vegetação secundária do que ganharam, com as áreas mais afetadas concentradas principalmente no Matopiba, que abrange partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Barreiras, Jaborandi e Baixa Grande do Ribeiro, no Oeste baiano, aparecem, respectivamente, nas três primeiras posições entre os municípios do Cerrado com maior perda líquida desse tipo de vegetação no período. 

Fonte: Tribuna da Bahia

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