Quatro trabalhadores morreram em acidentes de trabalho na Bahia entre 31 de agosto e 3 de setembro, em ocorrências registradas em Feira de Santana, Porto Seguro e Itororó e investigadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). A sequência ocorre em um estado que contabilizou 61.663 notificações entre janeiro de 2023 e maio de 2026, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).
O caso mais recente ocorreu quinta-feira (3), quando Marlon Amorim de Souza, de 22 anos, morreu após ser esmagado por uma prensa em uma fábrica de pré-moldados, em Feira de Santana. No dia anterior, o gari José Luciano Oliveira da Silva, de 48 anos, morreu durante a coleta de lixo em Itororó, enquanto outras três mortes haviam sido registradas entre 31 de agosto e 1º de setembro, em Feira de Santana e Porto Seguro.
O MPT instaurou inquéritos para apurar as circunstâncias dos acidentes e verificar eventual descumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho. Os casos se somam a outras ocorrências graves ou fatais registradas em agosto em Barreiras, Pindobaçu, Jacobina e Teofilândia, segundo o órgão.
Na Bahia, as 61.663 notificações registradas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 correspondem a 3,3% das 1.843.694 ocorrências contabilizadas no país pela ANAMT. O levantamento, elaborado a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), coloca o estado na sétima posição nacional em números absolutos e com o maior total do Nordeste.
A região contabilizou 223.250 acidentes no período, ou 12,1% dos registros nacionais, atrás do Sudeste, com 788.518, e do Sul, com 550.377. Os valores absolutos não medem diretamente o risco de acidente, pois são influenciados pelo tamanho da população ocupada, pelo perfil das atividades econômicas e pela capacidade dos serviços de saúde de identificar e notificar os casos, segundo a ANAMT.
A série começa em 2023, quando a Portaria nº 217, do Ministério da Saúde, passou a exigir a notificação de todos os acidentes de trabalho atendidos pelos serviços de saúde. Antes, a obrigatoriedade abrangia acidentes graves e fatais e aqueles envolvendo crianças e adolescentes.
Para o presidente da ANAMT, Francisco Cortes Fernandes, a mudança ampliou a identificação das características das ocorrências. “Ao ampliar a notificação, passamos a enxergar melhor onde os acidentes acontecem, quem são os trabalhadores expostos e quais circunstâncias mais contribuem para esses eventos. Essas informações são fundamentais para orientar políticas públicas e estratégias de prevenção. Para nós, médicos do trabalho, nos ajudam, como especialidade, a pensar formas de aperfeiçoar a assistência à saúde integral do trabalhador”, afirmou.
Somente nos cinco primeiros meses de 2026, o país registrou 222.139 acidentes na base analisada pela associação. Entre janeiro de 2023 e maio deste ano, os homens responderam por 1.376.463 notificações, ou 74,7% do total, enquanto as mulheres somaram 466.921 registros, equivalentes a 25,3%.
A maior concentração ocorreu entre trabalhadores de 20 a 49 anos, responsáveis por 1.394.039 notificações, ou 75,6% do total. Foram 783.598 registros entre pessoas de 20 a 34 anos e 610.441 na faixa de 35 a 49 anos, além de 107.154 ocorrências entre pessoas de 15 a 19 anos.
Outra série, produzida por auditores-fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), contabilizou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes no Brasil entre 2016 e 2025. O levantamento utiliza uma base distinta da analisada pela ANAMT e considera as Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no INSS/eSocial.
Em 2025, o país registrou 806.011 acidentes e 3.644 mortes, os maiores números da série de dez anos do MTE. Na Bahia, foram 180.598 acidentes e 1.100 óbitos acumulados entre 2016 e 2025, com taxa de letalidade de 5,95 mortes para cada mil acidentes registrados.
O relatório também mostra que os setores com mais acidentes não são necessariamente aqueles que concentram mais mortes: as atividades hospitalares lideraram em ocorrências, com 500.032 registros, enquanto o transporte rodoviário de carga intermunicipal e interestadual somou o maior número de óbitos, com 2.601. Entre as ocupações, os motoristas de caminhão em rotas regionais e internacionais registraram 4.249 mortes no período, o maior total do levantamento.
Fonte: Tribuna da Bahia



