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Feira de Santana sedia maior encontro da agricultura familiar da Bahia com debates, investimentos e valorização do campo

Feira de Santana sediou, entre os dias 27 e 29 de maio, um dos maiores encontros voltados à agricultura familiar já realizados na Bahia. O I Festival Estadual e Feira da Agricultura Familiar (FEFAF) e o VII Congresso da Agricultura Familiar do Estado da Bahia transformaram o Centro de Convenções do município em espaço de debates, trocas de experiências, anúncios de investimentos e fortalecimento das organizações ligadas ao campo.

O evento reuniu agricultores familiares, cooperativas, sindicatos, associações, movimentos sociais, representantes do Governo do Estado, Governo Federal e lideranças políticas de diversas regiões baianas e de outros estados do país.

A programação contou com exposições de produtos da agricultura familiar, apresentações culturais, rodadas de debates, encontros de lideranças rurais e assinatura de novos investimentos voltados ao fortalecimento da produção agrícola familiar. Durante participação no evento, o governador Jerônimo Rodrigues classificou o encontro como “uma noite histórica” para a agricultura familiar da Bahia e destacou a presença de representantes de cerca de 60 municípios baianos.

Segundo o governador, o congresso serviu não apenas para reunir agricultores e movimentos sociais, mas também para discutir novos caminhos para o desenvolvimento rural e consolidar políticas públicas voltadas ao setor. Entre as ações anunciadas pelo Governo do Estado está a ampliação do projeto de qualificação profissional e geração de renda realizado por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Bahia (FETRAF-BA).

O diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro, informou que o aditivo ao termo de colaboração terá investimento de R$ 1,6 milhão e beneficiará cerca de 6 mil agricultores familiares em várias regiões do estado. Segundo ele, o projeto fortalece a atuação de aproximadamente 50 sindicatos ligados ao movimento da agricultura familiar e amplia ações de qualificação, assistência e geração de renda no campo. “Essa foi uma demanda trazida pelo movimento social e que nós tratamos com muito compromisso”, afirmou.

Outro anúncio importante feito durante o congresso foi a assinatura do termo de fomento para construção de cisternas em unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida Rural. A iniciativa beneficiará famílias dos municípios de Laje, Araci, Cansanção, Caraíbas, Condeúba, Oliveira dos Brejinhos, Planalto, Rafael Jambeiro e Serra Preta.

De acordo com Jerônimo Rodrigues, serão implantadas cisternas de 16 mil litros para armazenamento de água da chuva em residências que ainda não possuíam o equipamento. O investimento previsto é de R$ 3 milhões. “Corrigimos um projeto anterior. As casas construídas no Minha Casa Minha Vida Rural não tinham cisterna de consumo. Agora, 333 casas passarão a contar com cisternas para guardar água de qualidade”, destacou o governador.

Além dos investimentos em infraestrutura hídrica, o evento também marcou o lançamento de novos editais voltados ao fortalecimento da agricultura familiar, totalizando mais de R$ 80 milhões em oportunidades. Segundo Jeandro Ribeiro, os editais contemplam áreas como turismo rural, plantas medicinais, mandiocultura e fortalecimento das cadeias produtivas da agricultura familiar.

O senador Jaques Wagner também participou da programação e defendeu a ampliação de investimentos em tecnologia, mecanização e industrialização da produção agrícola familiar. Durante entrevista, Wagner afirmou que mais de 600 mil famílias baianas vivem da agricultura familiar e destacou que o acesso à tecnologia não pode ficar restrito apenas aos grandes produtores rurais. “A tecnologia tem que chegar para todo mundo, não só para os grandes”, afirmou.

O senador destacou ainda a importância da verticalização da produção, defendendo que os agricultores familiares avancem também no beneficiamento e industrialização dos produtos para agregar valor e ampliar a renda das famílias rurais. Como exemplo, Jaques Wagner citou o crescimento de cooperativas baianas que hoje produzem chocolates, derivados do milho, geleias, iogurtes, queijos e outros alimentos processados.

Ele também criticou o modelo econômico em que agricultores vendem matéria-prima a baixo custo enquanto intermediários obtêm os maiores lucros após o processamento dos produtos. “Perguntam qual é o melhor chocolate do mundo e respondem que é suíço ou belga. Mas não existe pé de cacau na Suíça ou na Bélgica. Eles pegam o cacau produzido aqui, processam e vendem com muito mais valor agregado”, declarou.

Outro tema amplamente debatido durante o congresso foi a permanência da juventude no campo.

A representante da FETRAF-BA, Ana Cláudia Carvalho, afirmou que um dos principais desafios da agricultura familiar atualmente é garantir oportunidades para que os jovens permaneçam nas comunidades rurais com qualidade de vida, renda e acesso à tecnologia. Segundo ela, o campo precisa oferecer mais conectividade, inovação e oportunidades econômicas para atrair as novas gerações. “Hoje não é apenas mais a enxada. Precisamos trazer tecnologia e instrumentos para que os jovens entendam a oportunidade de permanecer no campo gerando renda, produzindo alimentos e construindo suas vidas”, afirmou.

A dirigente também destacou que o evento serviu para fortalecer os agricultores familiares e ampliar o debate sobre políticas públicas voltadas à inclusão produtiva e ao acesso à terra.

Outro ponto de destaque durante o encontro foi o protagonismo das mulheres na agricultura familiar.

A secretária de Desenvolvimento Rural da Bahia, Elisabete de Oliveira Costa Santos, ressaltou que as mulheres são maioria em associações, cooperativas, agroindústrias e feiras agrícolas em várias regiões do estado. Primeira mulher a comandar a Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia, Elisabeth Costa afirmou que a presença feminina na agricultura familiar representa força produtiva e também responsabilidade social.

Segundo ela, grande parte dos alimentos consumidos pelas famílias baianas e utilizados na alimentação escolar da rede pública é produzida por mulheres agricultoras. “Hoje não trabalhamos apenas com merenda escolar, mas com alimentação escolar, e grande parte desses alimentos vem das mãos das mulheres da agricultura familiar”, destacou.

A representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (CONTRAF Brasil), Josana Lima, também participou do evento e afirmou que a Bahia se tornou referência nacional em experiências ligadas à agricultura familiar. Natural do Rio Grande do Norte, Josana destacou a força da organização dos agricultores baianos e a importância do congresso para o fortalecimento do setor em nível nacional.

Segundo ela, o evento evidenciou a diversidade da produção agrícola familiar, o protagonismo feminino e o papel da juventude rural. “Estamos vendo aqui o que temos de mais bonito no campo, que é a produção de alimentos, a diversidade, a cultura, as mulheres e a juventude presentes nesse festival”, afirmou.

Representando a Associação dos Agricultores Familiares e Aposentados de Macaúbas (APAN), Vanduir Fagundes também destacou a importância do encontro para troca de experiências entre agricultores de diferentes regiões da Bahia. Segundo ele, o congresso fortalece a luta dos trabalhadores rurais e contribui para construção de novas estratégias de desenvolvimento para o campo. “A agricultura familiar é muito importante para sustentar o país e colocar alimento na mesa das pessoas”, declarou.

Vanduir explicou que a agricultura familiar em Macaúbas é baseada principalmente na criação de bovinos, galinhas e suínos, além do cultivo de milho e feijão, apesar das dificuldades provocadas pela escassez de água.

Além dos debates políticos e institucionais, o festival contou com exposição e comercialização de produtos da agricultura familiar, apresentações culturais, espaços de convivência e atividades voltadas à valorização da identidade rural baiana. O evento consolidou Feira de Santana como importante espaço de articulação das políticas públicas voltadas ao campo e reforçou o papel da agricultura familiar na produção de alimentos, geração de renda e fortalecimento da economia baiana.

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