O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, utilizou a plenária territorial do Programa de Governo Participativo (PGP 2026), realizada neste sábado (9), em Feira de Santana, para defender um modelo de construção política baseado em consultas populares, ampliar críticas à oposição e detalhar pautas consideradas estratégicas para o futuro do estado. O encontro, promovido no território Portal do Sertão, reuniu lideranças políticas, movimentos sociais, representantes de categorias profissionais, prefeitos e militantes aliados do governo estadual.
Durante entrevista à imprensa, Jerônimo afirmou que o principal objetivo do PGP é criar um canal permanente de diálogo com a população antes da definição das prioridades administrativas e eleitorais do grupo político governista. Segundo ele, o processo não se resume a reuniões técnicas dentro do governo e pretende alcançar comunidades urbanas, áreas rurais e diversos segmentos da sociedade baiana.
“O diferencial é exatamente ouvir as pessoas antes de definir as propostas. A gente conversa com técnicos, empresários, profissionais, movimentos sociais, mas também vai para os territórios entender onde estão as dificuldades reais da população”, afirmou o governador.
Ao comentar o funcionamento do programa, Jerônimo explicou que a plenária em Feira representa apenas o início de uma série de escutas regionais que ocorrerão em diferentes municípios baianos. De acordo com ele, após os encontros presenciais, será aberta uma plataforma digital para receber sugestões da população sobre obras, serviços e demandas prioritárias.
Segundo o governador, qualquer cidadão poderá participar indicando necessidades relacionadas a abastecimento de água, infraestrutura, mobilidade, saúde, educação e estradas vicinais. “Nós vamos acolher essas sugestões e colocar no programa apenas aquilo que tivermos condições reais de executar. Não é um espaço para promessa vazia”, declarou.
Durante a entrevista, Jerônimo também direcionou críticas ao grupo de oposição na Bahia e citou indiretamente o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, ao comparar modelos de elaboração de programas políticos. O governador afirmou que adversários estariam buscando referências fora do estado sem priorizar a escuta da população baiana.
Sem esconder o tom político do discurso, Jerônimo ainda comentou os indicadores da educação municipal de Salvador e mencionou informações sobre dificuldades enfrentadas por creches da capital. Segundo ele, os problemas exigem atenção e mostram a importância de priorizar investimentos na educação básica.
Apesar das críticas, o governador afirmou que o foco principal do encontro em Feira de Santana foi discutir demandas regionais e fortalecer a participação popular na construção das próximas etapas do governo. Ele destacou que a cidade possui papel estratégico para o desenvolvimento econômico e social do interior da Bahia.

Questionado sobre o crescimento político da oposição em Feira de Santana e sobre a relação com o prefeito José Ronaldo, Jerônimo evitou entrar em confronto direto e preferiu destacar sua ligação pessoal com o município. O governador lembrou que trabalhou na Universidade Estadual de Feira de Santana, possui familiares na cidade e mantém relação próxima com moradores e comerciantes locais. “Meu filho nasceu aqui, minha esposa e minha família têm história aqui. Minha carteira profissional foi assinada em Feira. Eu tenho vínculo afetivo com essa cidade e sempre que posso faço questão de circular pelas ruas, conversar com as pessoas e acompanhar a realidade do município”, afirmou.
Jerônimo relatou ainda momentos recentes vividos discretamente em Feira de Santana, como visitas ao comércio popular, ida ao salão para cortar cabelo e encontros com moradores em pontos de transporte alternativo da cidade. Segundo ele, essa proximidade ajuda a compreender melhor os problemas enfrentados pela população.
Outro tema destacado pelo governador foi o projeto de fortalecimento da Região Metropolitana de Feira de Santana. Jerônimo afirmou que o governo estadual pretende avançar na consolidação administrativa e estrutural da região, ampliando a integração entre os municípios e fortalecendo serviços considerados estratégicos.
Entre as propostas discutidas está a ampliação da rede pública de saúde, incluindo estudos relacionados à implantação do HGCA III para atender cidades da futura região metropolitana. O governador afirmou que o debate já começou dentro do governo e deverá envolver prefeitos, lideranças regionais e setores técnicos.
Na área da juventude, Jerônimo defendeu a necessidade de reformular políticas públicas a partir da escuta direta dos jovens. Segundo ele, muitas vezes os governos criam programas sem compreender completamente as novas expectativas da população jovem.
O governador afirmou que o desafio atual é equilibrar diferentes demandas, como acesso à universidade, incentivo ao empreendedorismo, oportunidades no esporte, cultura e geração de emprego e renda. “Às vezes o jovem não quer seguir o caminho tradicional da universidade. Ele pode querer empreender, trabalhar com cultura, esporte ou tecnologia. O governo precisa entender essas mudanças”, disse.
Jerônimo também utilizou o debate para defender o modelo de escola em tempo integral implantado pelo governo estadual, mas ponderou que até mesmo políticas consideradas positivas precisam ser discutidas com os estudantes. Segundo ele, ouvir a juventude é essencial para ajustar formatos e melhorar resultados. “As plenárias ajudam exatamente nisso: entender se o formato que o governo está oferecendo atende ao que os jovens realmente esperam. A gente não pode decidir tudo sozinho”, concluiu o governador.



