Ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o deputado estadual Nelson Leal (PP) afirmou que o senador Angelo Coronel (PSD) tem relevância política consolidada e não deveria ser tratado de forma secundária nas articulações para a chapa majoritária das eleições de 2026. Em entrevista concedida ao Tribuna da Bahia, o parlamentar elogiou o perfil municipalista de Coronel e disse não compreender a hipótese de o senador ser deslocado para a suplência.
As declarações ocorrem em meio às discussões sobre a formação da chapa governista liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), que pode priorizar uma composição “puro-sangue”, com os senadores Jaques Wagner e Rui Costa, ambos do PT, o que reduziria o espaço de aliados dentro da base. Para Nelson Leal, a possibilidade de Angelo Coronel ser preterido representa uma inversão de papéis. “Como é que você pega o melhor jogador e coloca na reserva? Angelo Coronel tem muito mais serviços prestados à Bahia. Só no ano passado foram cerca de R$ 600 milhões destinados aos pequenos municípios”, afirmou, ao criticar publicamente a sugestão feita por Jaques Wagner para que Coronel aceitasse a suplência.
Durante a entrevista, Nelson Leal também explicou os motivos que o levaram a deixar a base do governo estadual e assumir a coordenação política da pré-campanha de ACM Neto (União Brasil). Segundo ele, a decisão foi motivada pelo incômodo com os indicadores da gestão estadual, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde, educação e infraestrutura.
O deputado destacou dados que, segundo ele, demonstram a perda de controle do governo. Na segurança pública, citou o fato de a Bahia concentrar cinco das dez cidades mais violentas do país e liderar o número de assassinatos no Brasil. Na educação, criticou o modelo de aprovação automática, afirmando que a política mascara os baixos índices do Ideb. Já na saúde, mencionou o aumento de 217% na fila da regulação, conforme apontado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), além de denúncias de pacientes acomodados em corredores de hospitais.
Na infraestrutura, Nelson Leal apontou a existência de 924 obras paralisadas em todo o estado, número também atribuído a levantamentos do TCE. Para ele, o conjunto desses fatores inviabiliza a permanência de aliados que desejam “o melhor para a Bahia” na base governista.
Como coordenador político da oposição, Leal afirmou que a estratégia da campanha de ACM Neto passa pela organização nos 417 municípios baianos e pela formação de um palanque estruturado em todas as regiões do estado. Segundo ele, há um sentimento crescente de mudança, evidenciado pela recepção ao ex-prefeito de Salvador em agendas no interior e em eventos como a Lavagem do Bonfim.
O parlamentar também avaliou o cenário interno do Partido Progressista (PP) e disse que ainda é prematuro cravar o posicionamento de todos os deputados da legenda, uma vez que as definições partidárias devem ocorrer até o prazo final de filiações, em março. Ainda assim, demonstrou confiança em um crescimento expressivo da oposição na Assembleia Legislativa, comparando o cenário atual ao de 2006.
Ao projetar os desafios do próximo governador, Nelson Leal apontou como prioridade imediata o ajuste das finanças do estado, citando os R$ 27 bilhões em empréstimos solicitados pelo atual governo. Além disso, defendeu ações emergenciais nas áreas de segurança pública, saúde, conclusão de obras paralisadas e a implementação de um plano educacional capaz de qualificar a mão de obra e atrair investimentos.
“O desafio é grande, mas um governador preparado pode fazer a Bahia voltar a ser uma das grandes locomotivas do Brasil”, concluiu.
Com informações do Tribuna da Bahia



