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Rodovias federais da Bahia têm alta de 9,6% nas mortes no 1º semestre

As rodovias federais que cortam a Bahia registraram aumento no número de sinistros e, principalmente, de mortes no primeiro semestre de 2026. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) enviados à Tribuna da Bahia, foram 2.066 ocorrências entre janeiro e junho, contra 1.978 no mesmo período do ano passado, alta de 4,4%. O número de mortes passou de 272 para 298, crescimento de 9,6%. Na prática, quase 300 pessoas perderam a vida em seis meses nas BRs que atravessam o estado.

Os números revelam uma combinação preocupante de imprudência ao volante, falhas de atenção e condições que ainda exigem melhorias na infraestrutura rodoviária baiana. A própria PRF aponta que boa parte das ocorrências está relacionada ao comportamento dos condutores, mas o mapa dos trechos críticos também mostra que a segurança nas estradas depende de fiscalização, manutenção, sinalização e investimentos públicos.

A BR-324 foi a rodovia com maior número de sinistros no primeiro semestre de 2026, com 532 ocorrências, seguida pela BR-116, com 521. A BR-101 registrou 427 e a BR-242, 167. Juntas, as quatro concentraram mais de 79% dos sinistros registrados nas rodovias federais baianas. A BR-242 foi a que apresentou o maior crescimento proporcional entre elas, passando de 113 ocorrências no primeiro semestre de 2025 para 167 neste ano, alta de 47,8%.

Quando o critério é o número de mortes, entretanto, a BR-116 assume a liderança com larga vantagem. Foram 94 óbitos no primeiro semestre, contra 65 no mesmo período de 2025, aumento de 44,6%. Na BR-101, morreram 57 pessoas; na BR-324, 34; e na BR-242, 27. A PRF também registrou crescimento de mortes nas BRs-407 e 135, que passaram, respectivamente, de 11 para 15 e de sete para 13 óbitos.

Imprudência 

Por trás das estatísticas aparecem comportamentos que poderiam ser evitados. Conforme a PRF, a principal causa identificada no primeiro semestre foi o acesso à via sem observar a presença de outros veículos, com 267 registros. Em seguida aparecem a reação tardia ou ineficiente do condutor, com 249 casos, e a ausência de reação, com 242.

Também foram registrados 143 sinistros associados à falta de manutenção da distância de segurança e 113 relacionados à velocidade incompatível. Segundo a análise da própria PRF, “a maioria dos sinistros continua relacionada ao comportamento humano”, especialmente por falhas de atenção, avaliação inadequada do tráfego e reações tardias.

O cenário mostra que parte da violência nas estradas baianas não é resultado de uma fatalidade inevitável. Ultrapassagens mal calculadas, velocidade acima do adequado, mudanças de faixa sem atenção, desrespeito à distância de segurança e falta de reação diante de situações de risco são atitudes que podem transformar uma viagem em tragédia.

Os tipos de ocorrência reforçam esse quadro. As colisões traseiras e transversais foram as mais frequentes, com 341 registros cada uma. Também foram contabilizadas 235 saídas de leito carroçável, 233 colisões frontais, 172 colisões laterais no mesmo sentido e 97 atropelamentos de pedestres. A colisão frontal, embora menos frequente que as traseiras e transversais, permanece entre os eventos de maior potencial de letalidade.

PRF informa trechos que exigem atenção

A concentração dos sinistros também aponta para regiões específicas da Bahia que demandam atenção permanente. A PRF considera como trechos críticos o Anel de Contorno de Feira de Santana, na BR-116; a ligação entre Salvador e Simões Filho, na BR-324; a região de Eunápolis, no sul da Bahia, pela BR-101; e o trecho entre Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, na BR-242.

Na BR-324, a preocupação ganha dimensão ainda maior pelo volume de veículos que circula diariamente entre Salvador, a Região Metropolitana e Feira de Santana. O trecho também passou recentemente por uma situação que evidencia a necessidade de manutenção permanente. Em julho, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou a realização de serviços emergenciais no km 604, em Simões Filho, depois da identificação de trincas e afundamento da pista provocados por uma falha estrutural em um antigo bueiro sob o aterro da rodovia.

Desde março, o DNIT também passou a oferecer atendimento operacional aos usuários da BR-324, entre Salvador e Feira de Santana, e da BR-116, entre Feira de Santana e a divisa com Minas Gerais, trechos que anteriormente estavam sob administração da ViaBahia. O serviço inclui guincho, atendimento pré-hospitalar, recolhimento de animais e apoio em ocorrências que possam comprometer a segurança e a fluidez do tráfego.

A mudança de gestão ocorre justamente em duas das rodovias que concentram os maiores problemas apontados pela PRF. Na BR-116, por exemplo, o DNIT informou neste ano que executa intervenções para restauração do pavimento, implantação de vias laterais, ampliação da capacidade de tráfego e construção de viadutos e pontes.

A necessidade de melhorias não elimina, porém, a responsabilidade de quem está ao volante. Uma estrada mais bem conservada, sinalizada e estruturada reduz riscos, mas não impede um motorista de dirigir em velocidade incompatível, invadir a faixa contrária, mudar de faixa sem atenção ou simplesmente não manter uma distância segura.

Diminuição de acidentes depende também de mais fiscalização e melhores estradas

Os dados da PRF mostram que a redução das mortes nas rodovias federais da Bahia passa por duas frentes que precisam caminhar juntas. De um lado, estão a fiscalização, a educação para o trânsito e a mudança de comportamento dos

condutores. De outro, a responsabilidade do poder público em manter as estradas em condições adequadas, corrigir pontos de risco, melhorar a sinalização e ampliar a capacidade dos corredores mais movimentados.

A própria PRF aponta, na conclusão do levantamento, a necessidade de intensificar ações de fiscalização, educação e conscientização dos usuários, especialmente nos trechos considerados críticos.

Fonte: Tribuna da Bahia

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