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HomePolíticaVereadores comentam pedido de desculpas de secretário por publicação indevida

Vereadores comentam pedido de desculpas de secretário por publicação indevida

As explicações dadas pelo secretário Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), Sérgio Carneiro, na Câmara nesta quarta-feira (24) sobre a divulgação dos nomes de pessoas com fibromialgia, anemia falciforme e HIV/Aids, no Diário Oficial do Município, foi destacado em pronunciamento de diversos vereadores na Tribuna da Casa. Eles concordaram com o secretário, que classificou o fato como “erro não-intencional”. Os parlamentares reconheceram a coragem do gestor da pasta em assumir as responsabilidades e acataram seu pedido público de “desculpas”.

Para o líder do Governo na Câmara, José Carneiro (União), o secretário fez demonstração de muita humildade ao assumir o erro publicamente e pedir desculpas. Continuar a colocá-lo numa espécie de “paredão”, não vai solucionar o problema, comentou. “Pedro Américo já anunciou que vai recorrer da decisão judicial. Então, o caminho é buscar solução sem usar a questão politicamente”, avaliou.

Autor da lei que concedeu o passe livre a pessoas com fibromialgia e anemia falciforme, Pedro Américo (Cidadania) disse que a sociedade recebeu “estarrecida” a informação sobre exposição dos dados e suspensão dos passes livres. Por mais que se tenha empatia pelo secretário, observou ele, também é preciso entender a grande dor das famílias expostas que socialmente se tornaram mais vulneráveis. “De fato, não concordo e não são justificáveis os ataques pessoais. Mas, é preciso que a Prefeitura pense em ato de reparação. Da mesma forma, a Câmara deve discutir uma solução para manter o consenso social sobre a garantia de direitos”, disse o parlamentar.

Conhecido de Sérgio desde muito tempo, Jurandy Carvalho (PSDB) reafirmou a confiança no trabalho do titular da pasta de Mobilidade de Feira. “Sei de sua luta e da seriedade em todos os cargos públicos que ocupou”, disse. Mesmo entendimento de Edvaldo Lima (União), que destacou a tranquilidade do secretário em abordar o assunto e o fato de vim desempenhando há muitos anos a função pública sem cometer deslizes. “Parabenizo a atitude de assumir a responsabilidade. Percebemos que aconteceu um erro, um equívoco. Está na hora de parar com isto. Vida que segue”, pontuou Galeguinho SPA (União).

Nas entrevistas concedidas desde o último domingo (21), lembrou Zé Curuca (União), deu para perceber a preocupação do secretário com o ocorrido. “E ele deu a mão à palmatória, pedindo desculpas publicamente. Demonstra que todos conhecem sua índole de homem sério”, afirmou. Conforme Pastor Valdemir (PP), de todas as coisas se pode tirar uma lição de vida, até nos fatos negativos. “Seria interessante pesquisar a história da pessoa, antes de expressar opinião sobre a vida dela. Máquinas quebram e pessoas falham. Foi o que aconteceu. Grave sim, mas vai passar”, ponderou.

Afirmando ter ciência da dor nas famílias de quem teve os nomes expostos, Jorge Oliveira (PRD) disse que empatia também exige perdão. Embora, assinalou ele, cabe discutir formas de dirimir as consequências no processo. “Parabenizo a coragem e a sinceridade em vir dar satisfação ao Poder Legislativo. Estaremos com você e com os familiares das pessoas atingidas”. Lulinha da Gente (União) destacou que em todas as secretarias que ocupou na carreira pública, Sérgio Carneiro obteve destaque positivo. Elogiou-o por não se esconder e assumir responsabilidades. “Com certeza, as famílias vão lhe perdoar. O ato aconteceu sem a intenção”. Eli Ribeiro lembrou que já passou por situação semelhante, onde enfrentou as redes sociais que “criticam” e “não perdoam”. Algo solto no ar, comentou, não se recolhe novamente. “Portanto, parabenizo pela coragem de ter assumido sozinho a situação”, disse.

Oposição questiona

Manifestando respeito pela “história de vida pública” do secretário de Mobilidade, Sérgio Carneiro, o vereador Silvio Dias (PT) disse hoje (24) que considera “gravíssimo” o fato da divulgação, no Diário Oficial Eletrônico do Município, de nomes de pessoas que convivem com HIV/Aids, fibromialgia e anemia falciforme. Todos tiveram suspenso o passe-livre no transporte coletivo em Feira de Santana. “Deve ser devidamente apurado”, afirmou o parlamentar, que é também advogado.

Ele questionou a Sérgio, que compareceu à Câmara para dar suas explicações sobre o caso, “quem deu a ordem” para entrar na justiça, visando retirar este direito de pessoas com doenças graves. Em resposta, o gestor afirmou que “está comprovada a não-intencionalidade de prejudicar as pessoas”. Quanto às motivações do questionamento “de um processo e de outro, não me sinto à vontade em discutir, pois receio invadir atribuições de outra pessoa”.

Professor Ivamberg (PT) ponderou que as redes sociais acabam “ampliando as situações e a repercussão negativa” das coisas que acontecem, mas indagou ao secretário sobre qual foi o passo a passo até a efetiva publicação dos dados oficialmente: “Como aconteceu isto na secretaria? E quanto ao aval da Procuradoria como se deu?”. Alegando questão “de caráter”, Sérgio disse preferir não transferir responsabilidades a outros. “A assinatura que estava ali era minha. Basta a mim, o ‘tribunal da internet’, pois não desejo a ninguém o que estamos passando nestes dias”.

Para Luiz da Feira (PP), é perceptível que assim como as pessoas que tiveram seus nomes divulgados, o secretário tem sofrido com o problema. “Teve coragem de pedir desculpas. Agora, vamos focar em tentar resolver o problema. Precisamos discutir para que as 600 pessoas do passe livre voltem a ter este direito”, frisou. Manifestando também solidariedade às pessoas que foram prejudicadas, Gean Caverna (Podemos) apontou a necessidade de discussão mais aprofundada sobre o sistema de transporte público da cidade. “Não é da noite para o dia que vamos resolver. Mas precisamos ser sensíveis às pessoas que precisam usar o passe livre”.

Entidade representativa

A Associação de Familiares, Amigos e Pessoas Vivendo com HIV/Aids cobrou reparação pelo vazamento de dados sensíveis de pacientes em Feira de Santana e melhores condições de atendimento no Centro de Saúde Especializado (CSE) Dr. Leone Coelho Leda. O pedido foi feito pela presidente da entidade, Josefa Faria dos Anjos, durante discurso na Tribuna Livre da Câmara Municipal, na sessão desta quarta-feira (24).

Representando pacientes com HIV, fibromialgia e anemia falciforme, Josefa destacou que a publicação da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) na edição do Diário Oficial do Município do último sábado (20), expôs famílias ao preconceito e provocou forte sofrimento emocional. Segundo ela, muitas pessoas atingidas não haviam compartilhado sua condição nem mesmo com familiares, o que torna o episódio ainda mais delicado.

Josefa também chamou atenção para os reflexos sociais e profissionais do estigma. Ela disse ter recebido a informação de que um funcionário foi demitido após a exposição dos dados e afirmou que vai apurar o caso. Para ela, situações como essa evidenciam a necessidade de acolhimento e de medidas urgentes de reparação: “Hoje em dia, o HIV tem tratamento e não mata, o que ainda está matando são as palavras e o julgamento”, declarou.

Além da reparação, a presidente da associação defendeu a retomada do Passe Livre para os pacientes e justificou que muitos vivem em vulnerabilidade social e não têm renda “sequer para alimentação”. Ela também criticou as condições de atendimento, relatando que o CSE, posto de referência para pessoas vivendo com HIV, não oferece estrutura digna. “Aquele lugar está um lixo e nós somos tratados como se fossemos ratos, escondidos”. Segundo ela, é crescente o número de pessoas infectadas pelo vírus HIV, especialmente jovens entre 14 e 19 anos, o que reforça a importância do acolhimento em um espaço adequado e com maior quantidade de profissionais capacitados.

Fonte: ASCOM / Câmara de Feira

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