O empresário Evandro Baldino do Nascimento, ex-presidente da Câmara Municipal de Várzea do Poço, é citado em diferentes desdobramentos da Operação Overclean, conduzida pela Polícia Federal (PF) para apurar suspeitas de desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares, fraudes em processos licitatórios e lavagem de dinheiro.
Uma reportagem publicada ontem (12) pela colunista Mirelle Pinheiro, do site Metrópoles, revela trechos de mensagens atribuídas ao empresário nas quais ele afirma ter “comprado” dezenas de prefeituras na Bahia. Em uma das conversas, Baldino diz já ter fechado acordo com 38 gestores municipais e estar em negociação com outros 60.
Ainda segundo a publicação, há diálogos em que o empresário trata diretamente com o prefeito de Riacho de Santana, João Vitor (PSD), sobre envio de valores. As mensagens mencionam depósitos fracionados e incluem o encaminhamento de comprovantes bancários.
Evandro Baldino exerceu mandato como vereador e presidiu a Câmara de Várzea do Poço. Posteriormente, passou a atuar no setor de construção civil, especialmente nas áreas de infraestrutura e pavimentação. Ele mantém vínculos com empresas que estão sob investigação da PF, entre elas a Allpha Pavimentações e a Construtora Impacto.
De acordo com informações da Polícia Federal, o empresário teria desempenhado papel de articulação logística e operacional em supostas fraudes licitatórias nos municípios de Oliveira dos Brejinhos e Campo Formoso, base política do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil).
As investigações apontam que Baldino atuaria na intermediação de contratos entre administrações municipais e empresas, além de participar de tratativas relacionadas ao direcionamento de obras financiadas com recursos de emendas parlamentares.
Em fases anteriores da operação, ele chegou a ser preso preventivamente, mas foi liberado posteriormente por decisão judicial. Mesmo em liberdade, seu nome segue mencionado em novos elementos reunidos pela investigação, incluindo diálogos com assessores parlamentares e gestores municipais.
Conversas obtidas pela PF e divulgadas em reportagens anteriores mostram trocas de mensagens sobre pagamentos a prefeitos de cidades beneficiadas por emendas. Em um dos diálogos, o empresário questiona se o repasse seria feito por “PIX ou papel”. Em outro trecho, ele comemora o recebimento de valores.
Os investigadores afirmam haver indícios de que parte das transações teria sido realizada por meio de depósitos fracionados, prática que pode ser utilizada para evitar comunicações automáticas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A Polícia Federal também analisa movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada por pessoas ligadas ao grupo investigado.
Fonte: Tribuna da Bahia


