O senador Jaques Wagner se defendeu publicamente ontem após ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), e afirmou estar “absolutamente tranquilo” diante das investigações. Em entrevista à BandNews, o petista negou ter recebido recursos do empresário Augusto Ferreira Lima, explicou a origem dos dólares apreendidos em um de seus endereços em Brasília e assegurou que manterá sua pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026.
“Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos de Augusto Lima”, declarou o parlamentar, rebatendo suspeitas levantadas no âmbito da investigação. Segundo Wagner, os cerca de 70 mil dólares encontrados em sua posse são provenientes de diárias acumuladas em viagens internacionais realizadas desde 2019.
“Eu não tenho nenhuma coisa para esconder. Esse dinheiro está guardado no cofre, porque nem sempre uso esse dinheiro. Às vezes gasto com cartão”, afirmou.
O senador também comentou as suspeitas envolvendo um apartamento em construção no bairro do Horto Florestal, em Salvador, que, de acordo com a investigação, teria sido solicitado ao empresário Augusto Lima. Wagner confirmou ter conversado com o investidor sobre o imóvel, mas negou qualquer transferência patrimonial irregular.
De acordo com o petista, a intenção era possibilitar que sua filha adquirisse o imóvel futuramente. “Como o Augusto Lima é um investidor, disse a ele: ‘você pode comprar, depois eu recompro’. Porque o apartamento ainda está em construção e eu teria que vender o apartamento de minha filha e pagar ou ela financiá-lo”, explicou.
Wagner também buscou afastar qualquer vínculo comercial com o Banco Master ou com o Credcesta. Segundo ele, sua única relação com o tema remonta ao período em que governou a Bahia, quando foi realizada a privatização da rede de supermercados Cesta do Povo. “Não tenho nenhum negócio com o Master ou Credcesta. Nós privatizamos a rede de supermercados Cesta do Povo. Essa rede levou junto o cartão. Daí para a frente, foi um negócio desenvolvido pelo banco e pelo próprio Augusto Lima”, disse.
Questionado sobre sua permanência na liderança do governo no Senado, Wagner afirmou ter recebido uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em manifestação de solidariedade. Segundo o senador, Lula reiterou confiança em sua atuação e o incentivou a permanecer firme. “É uma mera investigação. Até agora não sou réu, não sou culpado, não sou nada. Estou absolutamente tranquilo”, concluiu.
Wagner foi alvo da oposição. O deputado federal Capitão Alden (PL), vice-líder da Oposição na Câmara, afirmou que a nova fase da Operação Compliance Zero representa um “abalo no núcleo duro do poder” ao atingir o senador Jaques Wagner.
“Essa nova fase da Operação Compliance Zero tem um peso político enorme, especialmente na Bahia. Não estamos falando de qualquer nome. Estamos falando de Jaques Wagner, um dos homens mais poderosos do PT, ex-governador da Bahia, senador da República e um dos aliados mais próximos de Lula. Quando a Polícia Federal chega nesse nível, não estamos diante de uma notícia trivial. Estamos diante de um abalo no núcleo duro do poder”, declarou.
“O povo brasileiro está cansado de um país onde alguns parecem sempre estar acima de qualquer suspeita. Numa democracia séria, não pode existir intocável”, completou Alden.
Fonte: Tribuna da Bahia



