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Fila do INSS na Bahia cresce e expõe problemas

Milhares de baianos seguem vivendo uma rotina de incerteza enquanto aguardam uma resposta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Bahia enfrenta atualmente uma das situações mais graves do país quando o assunto é fila previdenciária. Segundo dados do Sindicato dos Servidores Federais da Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social na Bahia, o estado chegou a registrar 210.881 processos parados até abril deste ano, ocupando a terceira maior fila do Brasil e a maior do Nordeste. O volume representa um crescimento de cerca de 8% em relação ao fim de 2025. Entre os pedidos acumulados, mais de 98 mil são relacionados ao auxílio-doença por incapacidade temporária.

O cenário revela um drama silencioso vivido por trabalhadores afastados, idosos, pessoas com deficiência e famílias inteiras que dependem diretamente dos benefícios previdenciários para sobreviver. Em muitos casos, o dinheiro do INSS representa a única renda da casa. Enquanto aguardam análise, segurados enfrentam dificuldades para comprar alimentos, medicamentos e pagar contas básicas.

De acordo com o coordenador do Sindprev Bahia, Edivaldo Santa Rita, o problema não está ligado apenas ao aumento da procura por benefícios, mas a uma estrutura fragilizada ao longo dos últimos anos. Segundo ele, a redução no quadro de servidores e o fechamento de unidades do INSS agravaram significativamente a capacidade de atendimento no estado.

“O INSS perdeu muitos trabalhadores com aposentadorias e não houve reposição suficiente. Isso criou uma sobrecarga enorme para quem permaneceu nas agências e nos setores de análise”, afirmou.

Conforme o sindicato, diversas unidades no interior da Bahia e também em Salvador tiveram redução de funcionamento ou encerramento nos últimos anos, dificultando o acesso da população ao atendimento presencial. Em cidades menores, muitos segurados precisam viajar quilômetros para conseguir atendimento, perícia ou orientação.

Além da falta de servidores, outro problema apontado é a precariedade estrutural de parte das agências. Segundo o Sindprev, há locais com equipamentos antigos, deficiência tecnológica e limitações operacionais que dificultam o processamento dos requerimentos. O resultado é um efeito em cadeia: menos atendimentos, maior acúmulo de processos e crescimento da fila.

A digitalização dos serviços do INSS também aparece como um fator que, embora tenha ampliado o acesso virtual, trouxe novos obstáculos para parcela da população. Muitos segurados, especialmente idosos e moradores de regiões mais pobres, encontram dificuldades para utilizar plataformas digitais como o Meu INSS.

“Tem muita gente que não consegue anexar documentos, acompanhar exigências ou entender o funcionamento do sistema. Isso gera erros, pedidos incompletos e mais demora”, explicou Edivaldo Santa Rita.

Segundo especialistas da área previdenciária, boa parte dos benefícios negados ocorre justamente por inconsistências documentais, ausência de laudos médicos atualizados, falhas cadastrais e pendências em vínculos trabalhistas. Benefícios por incapacidade lideram o número de indeferimentos, principalmente devido à dificuldade em comprovar condições de saúde dentro das exigências técnicas do sistema.

Outro fator que contribui para o aumento da fila é o número elevado de recursos administrativos. Quando um benefício é negado, o segurado entra novamente na fila ao recorrer da decisão, ampliando ainda mais o estoque de processos.

Fila nacional ultrapassou 3 milhões, diz Ministério

Em nível nacional, o problema também preocupa o governo federal. Dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social apontam que a fila do INSS chegou a ultrapassar 3 milhões de pedidos em fevereiro deste ano, caindo posteriormente para cerca de 2,6 milhões após ações emergenciais adotadas pelo governo federal.

Segundo o Ministério da Previdência, o programa “Acelera INSS” foi criado para tentar reduzir o número de requerimentos represados e acelerar análises que ultrapassam o prazo legal de 45 dias. Entre as medidas anunciadas estão mutirões nacionais, reforço operacional, nomeação de assistentes sociais e previsão de novos concursos públicos.

A presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, declarou recentemente que a intenção do governo é reorganizar o funcionamento interno do órgão e melhorar os fluxos tecnológicos para acelerar o atendimento à população. Segundo ela, o objetivo é reduzir drasticamente os processos que permanecem há meses sem resposta.

Apesar das medidas anunciadas, especialistas avaliam que os resultados podem levar tempo para serem sentidos nos estados mais afetados, como a Bahia. Isso porque o déficit histórico de pessoal e a demanda acumulada ainda são considerados elevados.

Enquanto isso, milhares de baianos seguem aguardando perícias, revisões e análises documentais sem previsão concreta de conclusão. Em muitos casos, o tempo de espera ultrapassa meses, embora a legislação estabeleça prazo máximo de 45 dias para resposta administrativa.

Segundo advogados previdenciaristas, quando o prazo é excedido, o segurado pode recorrer à Justiça para tentar obrigar o INSS a concluir a análise do pedido. Ainda assim, o caminho judicial também enfrenta lentidão devido ao grande volume de ações.

Para o Sindprev Bahia, a solução definitiva passa obrigatoriamente pela reconstrução da estrutura previdenciária no país. O sindicato defende a realização urgente de concursos públicos, reabertura de agências fechadas e fortalecimento do atendimento presencial.

“O INSS é uma política pública essencial. Sem servidores suficientes e sem estrutura adequada, quem sofre é a população mais vulnerável”, destacou Edivaldo Santa Rita.

Fonte: Tribuna da Bahia

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