Nas primeiras horas desta quarta-feira, 6, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou uma operação para desmantelar um sofisticado esquema criminoso que movimentou R$ 11 milhões em fraudes dentro de plataformas de apostas virtuais, como o chamado ‘Jogo do Tigrinho’.
Coordenada pela 18ª Delegacia de Polícia de Brazlândia, a ação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados, além do bloqueio de quantias milionárias nas contas dos investigados.
A operação, que cruzou as fronteiras do Distrito Federal, cumpre mandados nas seguintes unidades federativas:
- Bahia
- Goiás
- São Paulo
- Maranhão
- Paraíba
- Rio de Janeiro
O alvo central da investigação é uma estrutura piramidal de ilusão: influenciadores digitais que, sem profissão definida, ostentavam fortunas nas redes sociais enquanto induziam milhares de seguidores ao prejuízo financeiro.
Nove pessoas foram alvo das investigações, suspeitas de integrar a organização criminosa, com divisão clara de tarefas e atuação coordenada em diferentes regiões do país. As investigações começaram após a identificação de atividades suspeitas ligadas à divulgação de ganhos irreais em plataformas de apostas.
No centro do escândalo em Brazlândia, estão Roberth Lucas, 24 anos, e Eduarda Cavalcante, 21. A dupla ostenta nas redes sociais coisas como resorts à beira-mar com águas cristalinas, maços de notas de R$ 100 exibidos diante das câmeras, passeios de lancha, compras e roupas de grife, pagas em espécie.
Em um dos vídeos analisados pela polícia, Roberth aparece realizando o pagamento de uma compra de alto valor utilizando diversas notas de R$ 100, exibidas de forma ostensiva aos seguidores.
Lucro falso
Segundo os investigadores, o casal utilizava “contas demo” (demonstração) fornecidas pelas plataformas. Nessas contas, os ganhos são programados para serem astronômicos, criando a falsa percepção de que ganhar dinheiro era fácil.
Ao clicarem nos links fornecidos pelo casal, as vítimas entravam em plataformas manipuladas onde o algoritmo garantia a perda do capital investido.
De acordo com a polícia, o esquema funcionava de maneira altamente estratégica. Os envolvidos utilizavam tecnologia para ocultar suas identidades, como servidores proxy, dificultando o rastreamento das operações.
Em julho de 2024, as investigações tiveram um marco importante, quando foi realizada uma busca na residência do casal, em Brazlândia. A partir desse ponto, a polícia conseguiu identificar uma rede mais ampla, com atuação interestadual e conexões com plataformas estrangeiras.
Diante disso, ficou evidenciado que havia uma hierarquia dentro do grupo, com líderes responsáveis pela estratégia e recrutamento, operadores encarregados da execução técnica das fraudes e influenciadores, que atuavam na captação de vítimas.
Mais ostentação
Mesmo levando uma vida marcada pelo luxo, os investigadores verificaram que o patrimônio do casal não era compatível com nenhuma atividade profissional oficialmente declarada. Roberth dizia ser estudante, e não havia registros de empregos formais que justificassem o alto padrão de consumo exibido.
Essa inconsistência reforçou as suspeitas de que os bens teriam sido adquiridos com dinheiro proveniente de práticas ilícitas ligadas a plataformas de apostas fraudulentas.
Segundo a investigação, parte dos valores apostados pelas vítimas por meio de links divulgados por influenciadores retornava a eles como comissão. A porcentagem exata ainda está sendo apurada e deverá ser confirmada ao longo do inquérito.
Também foi constatado o uso de contas bancárias em nome de terceiros, com utilização de CPFs de outras pessoas, como estratégia para dificultar o rastreamento dos recursos.
Movimentação milionária
O montante financeiro movimentado pelo grupo chama atenção. A estimativa é de que cerca de R$ 11 milhões tenham sido obtidos e posteriormente lavados pelos investigados durante o período analisado.
Um dos integrantes da organização apresentou uma média diária de movimentação em torno de R$ 48 mil, o que evidencia a elevada lucratividade do esquema.
Diante das provas reunidas, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 11 milhões nas contas dos investigados, medida que busca interromper o fluxo de dinheiro da organização e possibilitar eventual ressarcimento às vítimas. A decisão também evidencia a gravidade dos crimes apurados e a dimensão do esquema desmantelado.
Os envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa e estelionato, além de possíveis acusações de lavagem de dinheiro. A Polícia Civil não descarta a identificação de novos suspeitos nem a ampliação das investigações, especialmente a partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação.
As investigações seguem em curso, e a Polícia Civil do Distrito Federal reforça a importância das denúncias feitas pela população. Informações podem ser repassadas de forma anônima pelos canais oficiais, contribuindo para o combate aos crimes digitais e à atuação de organizações criminosas no ambiente virtual.
Fonte: A Tarde



