Com a chegada das festas juninas na Bahia, além das tradicionais comidas típicas e das quadrilhas, os fogos de artifício continuam sendo parte marcante da celebração. Apesar de toda a animação, é necessário atenção redobrada, principalmente com as crianças, em relação aos riscos de queimaduras.
Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), os dados do São João de 2024 apontam uma leve redução nos atendimentos por queimaduras nas unidades estaduais: foram 66 casos, contra 71 em 2023 — uma queda de aproximadamente 7%. O Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, concentrou a maior parte dos atendimentos, com 47 registros em ambos os anos. Desses, 44,6% envolveram crianças com menos de 13 anos. Apesar de não haver registros de casos graves, a frequência de acidentes entre crianças levanta um importante alerta sobre os cuidados necessários durante o período festivo.
O médico Dr. Victor Felzemburgh explicou que as queimaduras mais comuns são as térmicas, provocadas por chama. “Muitas pessoas se acidentam com fogueiras, brasas e até mesmo com as roupas. É comum crianças pegarem na brasa com a mão e acabarem se queimando. Aquelas roupinhas finas típicas de festa junina podem pegar fogo rapidamente e, em segundos, queimar grande parte do corpo da criança. Isso é muito sério.”
Além disso, ele destacou que há muitos casos de queimaduras causadas pela explosão de fogos, especialmente nas mãos. “O uso inadequado dos fogos pode levar à perda de dedos, explosão das mãos e lesões irreparáveis. Um dos maiores causadores de acidentes é a espada. Ela pode provocar queimaduras profundas e, além da chama, uma pancada forte pode causar traumatismos graves.”
As partes do corpo mais atingidas costumam ser as mãos, rosto e membros superiores — áreas geralmente mais expostas. “A escolha da roupa para a soltura de fogos também é fundamental. Tecidos inflamáveis devem ser evitados”, alertou o médico.
Primeiros socorros em caso de queimaduras
Em caso de queimadura, o Dr. Victor orienta seguir alguns passos importantes. “Se a roupa ou o corpo estiverem em chamas, a pessoa deve parar, deitar no chão e rolar, o famoso ‘pare, deite e role’ (‘stop, drop and roll’), para abafar o fogo. Já se a queimadura for apenas térmica, o ideal é colocar a área afetada sob água corrente em temperatura ambiente por 10 a 15 minutos. Não se deve usar gelo, pomadas ou outras substâncias caseiras. Após esse cuidado inicial, a recomendação é cobrir o local com um pano limpo e procurar atendimento médico.”
O médico ainda reforçou a importância de retirar anéis, pulseiras, relógios ou qualquer adereço da área afetada, pois os tecidos tendem a inchar logo após o acidente, dificultando a remoção posterior e agravando a situação.
Prevenção e cuidados especiais com crianças e idosos
Para evitar acidentes, o especialista destaca que os fogos de artifício devem ser utilizados com responsabilidade. “É fundamental ler as instruções do fabricante, respeitar a idade mínima recomendada e armazenar os fogos corretamente. Crianças devem estar sempre sob supervisão de um adulto, mesmo quando forem usar fogos considerados menos perigosos, como as chamadas ‘chuvinhas’. Esses artefatos, apesar de parecerem inofensivos, podem provocar queimaduras se entrarem em contato com roupas inflamáveis ou forem manipulados de maneira incorreta.”
Ele também alerta para o ambiente em que os fogos são soltos. “Evite locais próximos a idosos, postos de combustíveis, hospitais, escolas, redes elétricas e árvores. Fogos de procedência duvidosa ou com validade vencida não devem ser utilizados, pois aumentam o risco de falha e acidentes.”
Quando procurar atendimento médico
Segundo o Dr. Victor, mesmo queimaduras aparentemente simples podem evoluir mal se não forem tratadas adequadamente. “Queimaduras que formam bolhas, deixam a pele esbranquiçada, causam feridas profundas ou atingem áreas nobres como rosto, mãos, dedos e articulações devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Esses casos, se negligenciados, podem levar a sequelas permanentes, como perda de movimento, fibrose e contraturas.”
Fonte: Tribuna da Bahia



