O crescimento da agropecuária e dos serviços levou o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia a avançar 2,3% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado ficou acima da expansão de 2% registrada pela economia brasileira e foi divulgado nesta quarta-feira (9) pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
Entre abril e junho, a economia baiana movimentou R$ 154,7 bilhões em valores correntes. Desse total, R$ 140,3 bilhões correspondem ao Valor Adicionado, que representa a riqueza efetivamente gerada pelas atividades econômicas, e R$ 14,4 bilhões aos impostos sobre produtos, descontados os subsídios.
Os serviços concentraram a maior parcela do Valor Adicionado, com R$ 84,7 bilhões, o equivalente a 60,4%. A indústria respondeu por R$ 29,1 bilhões, enquanto a agropecuária somou R$ 26,5 bilhões.
Na comparação com o primeiro trimestre, considerando a série com ajuste sazonal, o PIB baiano cresceu 1%, também acima da alta nacional de 0,5%. O resultado indica uma aceleração da atividade econômica no Estado entre abril e junho.
O desempenho, entretanto, é menos favorável quando observado o acumulado do ano. No primeiro semestre, o PIB da Bahia cresceu 1,3%, abaixo da expansão de 1,9% registrada no país. Nos 12 meses encerrados em junho, a alta da economia baiana chegou a 1,8%.
Campo e serviços sustentam crescimento
A agropecuária apresentou o melhor desempenho entre os três grandes setores da economia baiana, com crescimento de 5,7% no segundo trimestre. O resultado foi impulsionado principalmente pela produção de soja, milho, algodão, cacau e café.
Segundo o levantamento utilizado pela SEI, a produção de grãos da Bahia deve chegar a 13,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,2% em relação à estimativa de 2025. A área plantada e colhida cresceu 1,8%, enquanto o rendimento médio previsto para as lavouras ficou 1,5% acima do observado na safra anterior.
“O resultado positivo deveu-se à alta na produção física das principais safras no acumulado do ano”, informa a SEI no boletim técnico.
Entre as culturas, a estimativa aponta crescimento de 15,4% na produção de cacau, que deve alcançar 137 mil toneladas. A safra de café pode aumentar 12,5%, para 294 mil toneladas, enquanto a soja deve atingir 8,93 milhões de toneladas, avanço de 3,8%.
Também são esperadas altas na produção de algodão, de 2,8%, e de milho, de 2,3%. Em sentido contrário, a cana-de-açúcar deve recuar 11,9%, enquanto mandioca e sorgo apresentam quedas estimadas de 3,8% cada.
O setor de serviços, responsável pela maior parte da economia estadual, cresceu 2,8% no segundo trimestre. O comércio avançou 3,4%, seguido pelas atividades imobiliárias, com alta de 2,3%; administração pública, com 1,8%; e transportes, com 1,5%. O agrupamento denominado “outros serviços” cresceu 4%.
“Praticamente todas as atividades apresentaram desempenho superior ao mesmo período de 2025”, destaca a SEI. O grupo de outros serviços inclui atividades como alojamento e alimentação, informação e comunicação, serviços financeiros, educação e saúde privadas, cultura, esporte, recreação e serviços domésticos.
Indústria tem terceira queda seguida
Apesar do crescimento geral da economia, a indústria baiana recuou 2,2% no segundo trimestre e completou a terceira queda trimestral consecutiva. O resultado foi pressionado principalmente pela indústria de transformação, que caiu 4,3%, e pela construção, com retração de 0,3%.
“O resultado aponta para uma persistência do cenário recessivo, embora o ritmo de queda tenha desacelerado na comparação com o 1º trimestre”, avalia a SEI.
A indústria extrativa avançou 6% no trimestre, enquanto a atividade de eletricidade e água cresceu 2,5%. Os desempenhos positivos, no entanto, não foram suficientes para compensar as perdas das atividades de maior peso.
No acumulado do primeiro semestre, a situação industrial mostrou-se ainda mais desfavorável. O setor recuou 4,1%, em contraste com os crescimentos de 1,6% da indústria brasileira, 5,7% da agropecuária baiana e 2,7% dos serviços no Estado.
A indústria de transformação acumulou queda de 6,1% entre janeiro e junho. Oito das 11 atividades pesquisadas apresentaram redução da produção, com destaque para máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que recuaram 37,4%; couros e calçados, com queda de 20,2%; derivados de petróleo, com redução de 8,6%; e metalurgia, com baixa de 7,5%.
Também recuaram produtos químicos, em 4,4%; produtos de borracha e plástico, em 3,7%; bebidas, em 3,6%; e celulose, papel e produtos de papel, em 3,4%.
Na direção oposta, a fabricação de produtos alimentícios cresceu 7,2% e exerceu a principal contribuição positiva dentro da indústria de transformação. O desempenho foi favorecido pela maior produção de leite em pó, cacau ou chocolate em pó e carnes e miudezas de aves congeladas.
A indústria extrativa avançou 6,8% no semestre, enquanto a produção de minerais não metálicos cresceu 1,8%. A construção acumulou retração de 0,4%.
De janeiro a junho, o PIB da Bahia totalizou R$ 297 bilhões em valores correntes. Os serviços responderam por R$ 172,6 bilhões do Valor Adicionado, seguidos pela indústria, com R$ 58,3 bilhões, e pela agropecuária, com R$ 32,3 bilhões. Os impostos sobre produtos somaram R$ 33,7 bilhões. Os dados divulgados pela SEI estão sujeitos a retificação.
Fonte: Tribuna da Bahia



